Radar Olímpico – Los Angeles 2028: o raio-x das chances de medalha do Brasil

Faltam pouco mais de dois anos para Los Angeles 2028 e o Brasil já tem nome, número e prova mapeados para tentar repetir ou até superar o retrospecto de Paris 2024. É exatamente isso que a nova série Radar Olímpico, do Lado Esportivo, vai acompanhar de perto daqui até a abertura dos Jogos.

Cruzamos convocações recentes, rankings de federações internacionais e o desempenho histórico do Brasil em cada uma das 353 provas do programa olímpico de LA28, distribuídas em 36 esportes, para montar esse panorama. Levantamento com data de referência de 31 de julho de 2026.

O panorama em números

Antes de entrar nos nomes, o resumo geral de como o Brasil está posicionado prova a prova.

CategoriaNº de provasO que significa
Favorito ao ouro17Entre os principais candidatos ao topo do pódio
Chance de medalha44Boa chance real de pódio
Corre por fora47Pode surpreender, mas não é favorito
A observar245Ainda sem garantia de vaga ou de resultado de ponta

No total, 108 das 353 provas de Los Angeles 2028 (cerca de 3 em cada 10) já têm algum brasileiro ou brasileira com chance real de subir ao pódio, mesmo que a classificação olímpica ainda esteja em andamento na maioria das modalidades.

Como fizemos essa classificação

Para cada uma das 353 provas, os brasileiros foram enquadrados em quatro níveis: favorito ao ouro, chance de medalha, corre por fora ou a observar. Essa classificação levou em conta rankings mundiais atuais, resultados recentes em Mundiais e etapas de circuito, medalhas conquistadas em edições anteriores dos Jogos e a evolução de cada atleta ao longo da temporada 2025/2026.

Vale um aviso importante. Convocação para Los Angeles 2028 ainda não é garantida em praticamente nenhuma modalidade. O processo classificatório segue em curso e nomes podem mudar até 2028. Por isso o Radar Olímpico será atualizado com frequência.

Os esportes com mais chances de medalha

Olhando por modalidade, alguns esportes concentram muito mais chances de pódio brasileiro do que outros.

EsporteProvas com chance de medalhaFavoritos ao ouro entre elas
Natação19 de 432
Atletismo13 de 492
Judô12 de 151
Ginástica Artística6 de 153
Boxe5 de 140
Tênis de Mesa5 de 61
Canoagem Slalom5 de 60
Tiro com Arco5 de 60
Skate4 de 42
Escalada Esportiva4 de 60

O judô chama atenção pela taxa de aproveitamento. De 15 provas do esporte, 12 têm algum brasileiro com chance real de pódio. O skate vai além: nas 4 provas do programa (street e park, masculino e feminino), todas têm expectativa de medalha, com 2 favoritos ao ouro.

Os favoritos ao ouro, com o que sustenta essa expectativa

Não basta dizer que alguém é favorito. Por isso fomos atrás do desempenho mais recente de cada um deles em Mundiais e etapas de circuito, para explicar de onde vem essa expectativa, inclusive quando o cenário é mais complicado do que parece à primeira vista.

Masculino

Caio Bonfim (marcha atlética 20km). É o caso mais sólido da lista. No Mundial de Atletismo de Tóquio, em setembro de 2025, Bonfim fez a melhor campanha individual da história do Brasil na competição: prata nos 35km e, dias depois, o ouro inédito nos 20km, tornando-se o maior medalhista do país em Mundiais de atletismo, com quatro pódios ao todo. Some-se a isso a prata olímpica de Paris 2024 e o quadro de favorito fica bem fundamentado.

Alison dos Santos, o Piu (400m com barreiras). Também vem de resultado fresco. Prata no Mundial de Tóquio 2025, atrás apenas do americano Rai Benjamin. É o terceiro pódio dele em grandes competições desde Tóquio 2020, com uma única exceção nesse intervalo, o Mundial de Budapeste 2023, quando ainda se recuperava de cirurgia no joelho e terminou em quinto.

Isaquias Queiroz (canoagem de velocidade). Depois de somar cinco medalhas olímpicas em três edições seguidas dos Jogos, ele voltou às competições internacionais já em 2025 com ouro no C1 500m na etapa de Szeged (Hungria) da Copa do Mundo, e repetiu o topo do pódio na etapa da Alemanha em maio de 2026. O C1 500m não é prova olímpica, mas os resultados reforçam que o nível dele segue no topo do ranking mundial às vésperas do ciclo de LA28.

Hugo Calderano (tênis de mesa simples masculino). Em fevereiro de 2026, tornou-se o primeiro tenista de mesa das Américas a alcançar o número 2 do ranking mundial da ITTF, superando o chinês Wang Chuqin. Vem de vice-campeonato mundial em 2025 e título da ITTF Americas Cup em 2026, o que sustenta o status de favorito mesmo em uma modalidade historicamente dominada por asiáticos e europeus.

Feminino

Rebeca Andrade (ginástica artística). Aqui vale um contraponto importante. Rebeca soma seis medalhas olímpicas entre Tóquio e Paris, incluindo dois ouros na capital francesa, e seguem sendo a maior referência do país na modalidade. Mas ela não competiu no Mundial de Ginástica Artística de 2025, em Jacarta, dedicando a temporada à recuperação física, e o Brasil ficou sem medalhas na competição pela primeira vez desde 2017. Isso não tira o status de favorita para Los Angeles, mas mostra que a equação depende diretamente da condição física dela nos próximos dois anos.

Ana Marcela Cunha (maratona aquática 10km). Outro caso de expectativa que pede um contexto mais completo. Aos 33 anos, ela já foi líder do ranking mundial geral da modalidade, mas amarga um jejum de pódio nos 10km nas duas últimas grandes competições: quarto lugar em Paris 2024 e sexto lugar no Mundial de Singapura 2025. O ouro nessa distância específica, aliás, é a única medalha que falta na coleção dela em Mundiais. Ainda assim, o histórico e a consistência em outras distâncias das águas abertas mantêm o nome dela no radar.

Beatriz Souza (judô acima de 78kg), Rayssa Leal (skate street) e Pedro Barros (skate park), Ítalo Ferreira (surfe) e Ana Patrícia/Duda (vôlei de praia). Fecham a lista de favoritos, todos medalhistas ou campeões olímpicos em Paris 2024. Vale um alerta para o caso de Rayssa: apesar de ter conquistado o tetracampeonato do SLS Super Crown em dezembro de 2025, ela ficou em quarto lugar no Mundial de skate street disputado em São Paulo em março de 2026, superada por um pódio 100% japonês, sinal de que a concorrência está mais dura rumo a LA28.

Nomes em alta que podem surpreender

Além dos favoritos já consolidados, o levantamento aponta uma turma que está em ascensão e pode aprontar em Los Angeles.

No tênis, João Fonseca é a maior novidade da lista. Aos 19 anos, ele já bateu o 24º lugar do ranking ATP, o melhor resultado de um brasileiro na modalidade desde Gustavo Kuerten, chegou às quartas de final de Roland Garros em 2026 e aparece com chance real de medalha no simples masculino, algo inédito para o tênis do país em Jogos Olímpicos.

Na natação, vale destacar que nem tudo são flores mesmo entre os nomes fortes. Guilherme Costa, recordista sul-americano dos 1500m livre e único brasileiro a nadar a prova abaixo de 15 minutos, teve um Mundial de Singapura 2025 discreto, sem avançar às semifinais dos 200m e 400m livre, suas provas mais tradicionais, o que gerou até dúvida sobre sua participação nos 800m. O histórico o mantém como favorito nos 1500m no papel, mas o ciclo até 2028 ainda tem trabalho pela frente. Já Stephanie Balduccini desponta como aposta em várias provas de velocidade, incluindo os 100m borboleta, mesmo em categorias onde o Brasil ainda não tem histórico de pódio.

Na ginástica rítmica, Barbara Domingos e o conjunto brasileiro, vice-campeão em etapa de Mundial disputada no Rio, miram um feito inédito para a modalidade no país.

No judô, Shirlen Nascimento (até 63kg) aparece em ascensão na categoria em que Ketleyn Quadros deu ao Brasil a primeira medalha olímpica do judô feminino, em 2008.

Nos esportes radicais, Gustavo “Bala Loka” Oliveira e Eduarda Bordignon têm chance de medalha na estreia olímpica do BMX Freestyle, e Anja Köhler aparece em alta em múltiplas provas da escalada esportiva, modalidade que ainda engatinha em resultados de ponta no país.

Yago Dora também chama a atenção. Depois do título mundial, ele entrou definitivamente entre os grandes candidatos brasileiros ao ouro no surfe em LA28. Alguns analistas inclusive o colocam como a principal esperança masculina do país, ao lado de Ítalo Ferreira.

Outro atleta é Miguel Hidalgo, no Triatlo. Isso porque hoje ele já aparece entre os melhores do mundo e ocupa posição de classificação direta para Los Angeles no ranking olímpico provisório. Talvez ainda não seja favorito à medalha, mas já merece ser citado entre os atletas em ascensão.

Onde o Brasil pode conquistar medalhas inéditas

Um recorte que chama atenção no levantamento são as provas em que o Brasil aparece com chance real de pódio, mas nunca subiu ao top 3 olímpico antes. São 27 provas nessa situação, incluindo:

  • Quase todo o pacote de meio-fundo e fundo da natação masculina com Guilherme Costa e Fernando Scheffer (200m, 400m e 800m livre, além do revezamento 4x200m)
  • O tiro com arco individual com Marcus D’Almeida
  • A canoagem slalom feminina com Ana Sátila, em três provas diferentes
  • O tênis simples masculino com João Fonseca
  • A ginástica rítmica individual e por equipes
  • O revezamento misto de marcha atlética, puxado por Caio Bonfim

Se mesmo uma parte dessas provas emplacar, Los Angeles pode marcar a estreia do Brasil no pódio em disciplinas que o país persegue há décadas.

Comparação com Paris 2024, o que mudou

Paris 2024 foi a segunda melhor campanha da história olímpica do Brasil, com 20 medalhas no total (3 ouros, 7 pratas e 10 bronzes). Ginástica artística e judô foram os esportes mais bem-sucedidos, com 4 medalhas cada, e o terceiro ouro veio do vôlei de praia com Ana Patrícia e Duda.

Olhando o retrato atual, a maior parte dessas frentes segue forte rumo a 2028. Ginástica artística, judô, canoagem, marcha atlética, skate, surfe e vôlei de praia mantêm ou até reforçam o status de favoritos.

Mas duas provas medalhistas em Paris aparecem hoje em um degrau mais baixo do que se esperaria. O taekwondo de Edival Pontes, o Netinho, bronze na categoria até 68kg em Paris, consta como “a observar” no levantamento atual, sem indicação de chance de medalha no momento. O mesmo vale para Larissa Pimenta no judô até 52kg, bronze em Paris, hoje também classificada como “a observar”. Isso não significa que essas chances estejam descartadas até 2028, mas é um sinal de atenção para acompanhar nas próximas atualizações do Radar.

As novidades do programa olímpico

Los Angeles 2028 vai receber cinco modalidades novas ou de retorno ao programa: beisebol e softbol, críquete, flag football, lacrosse e squash.

Nem todas têm o mesmo histórico. Beisebol e softbol já foram olímpicos em edições anteriores, a última vez em Tóquio 2020, e voltam agora em formato combinado, com o beisebol disputado só por homens e o softbol só por mulheres. O lacrosse já esteve nos Jogos em 1904 e 1908 e retorna pela terceira vez, agora no formato sixes. O críquete reaparece 128 anos depois de sua única participação, em Paris 1900, no formato T20. Já o flag football e o squash vão estrear de fato no programa olímpico.

Importante lembrar que a inclusão dessas modalidades foi uma escolha específica do comitê organizador de Los Angeles, prática comum desde Tóquio 2020, quando skate, surfe e escalada esportiva estrearam. Isso quer dizer que nenhuma delas tem permanência garantida para Paris (2032) ou edições seguintes, assim como aconteceu com o breaking, que estreou em Paris 2024 e não retorna em LA28.

No recorte brasileiro, o país ainda não tem tradição competitiva de ponta na maioria dessas modalidades, com destaque de crescimento para o flag football, puxado por nomes como Gabriela Bankhardt no lado feminino.

O Radar Olímpico vai continuar rodando

Esse panorama é só o primeiro capítulo. Convocações mudam, resultados de Mundiais reorganizam favoritismos e o processo de classificação para Los Angeles 2028 ainda está em andamento em praticamente todos os esportes. Por isso o Radar Olímpico do Lado Esportivo vai ser atualizado com frequência até a abertura dos Jogos, sempre trazendo quem subiu, quem caiu e quem entrou de vez na briga por uma vaga no pódio.

A planilha completa reúne todas as 353 provas de Los Angeles 2028, mostrando quais brasileiros aparecem como favoritos, quais podem surpreender e onde o país ainda busca evolução. O levantamento será atualizado constantemente conforme rankings, Mundiais e classificações olímpicas forem alterando o cenário. Confira a planilha completa aqui.

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