Os dois territórios votam ou seguem leis de outra nação, mas mantêm federações de futebol reconhecidas pela Fifa há décadas. Uma regra antiga, hoje extinta para novos membros, explica essa exceção.
Porto Rico é um território não incorporado dos Estados Unidos. Seus cidadãos têm passaporte americano e votam nas eleições primárias para presidente dos EUA, mas não escolhem o presidente na eleição geral. Ainda assim, Porto Rico tem seleção própria de futebol, filiada à Fifa, que disputa Eliminatórias da Concacaf separadamente dos Estados Unidos.
O caso de Hong Kong segue lógica parecida: território sob soberania chinesa, mas com federação de futebol independente da seleção da China. Os dois casos existem por causa de uma regra que a Fifa já não aplica para novos pedidos de filiação.
Em contraponto, tem países que nunca vão jogar uma Copa do Mundo.
A regra do “direito adquirido”
Durante boa parte do século XX, a Fifa permitia que territórios coloniais ou politicamente dependentes criassem suas próprias federações, desde que demonstrassem isolamento administrativo suficiente da metrópole. Hong Kong se filiou à Fifa em 1954, ainda sob domínio britânico, época em que a colônia já tinha estrutura esportiva própria e ligas organizadas havia décadas. Porto Rico seguiu caminho parecido, com filiação consolidada em 1960, décadas depois de já manter competições locais de futebol.
Quando a China retomou a soberania sobre Hong Kong em 1997, a federação local manteve seu status na Fifa, graças a um acordo que preservou a autonomia esportiva da região, similar ao que ocorreu em outras áreas administrativas após a transição. Hong Kong segue disputando Eliminatórias separadamente da seleção chinesa principal até hoje.
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Por que isso não se repete mais
Hoje, a Fifa só aceita a filiação de federações representando Estados soberanos, reconhecidos pela ONU. A regra mudou justamente para evitar a multiplicação de seleções dentro de territórios sem independência política plena. Quem já tinha filiação antes dessa mudança, porém, manteve o direito adquirido. É por isso que Porto Rico e Hong Kong continuam tendo seleções próprias, enquanto outros territórios em situação parecida, sem filiação histórica, não conseguem o mesmo status.
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Outros exemplos da mesma regra
O fenômeno não se limita a esses dois casos. Bermudas, Ilhas Cayman, Guam e diversas ilhas do Caribe também mantêm seleções próprias apesar de serem territórios dependentes de outras nações, principalmente Reino Unido e Estados Unidos. Todos esses casos seguem o mesmo princípio histórico: filiação conquistada antes do endurecimento das regras da Fifa.
O curioso paradoxo eleitoral de Porto Rico
A combinação entre cidadania americana e seleção própria cria situações peculiares. Em Eliminatórias da Concacaf, torcedores porto-riquenhos já acompanharam o próprio país enfrentar os Estados Unidos em campo, mesmo sendo, formalmente, cidadãos americanos. Esse contraste resume bem como o futebol consegue criar identidades esportivas distintas dentro de uma mesma estrutura política.
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O impacto competitivo dessas seleções
Nem Porto Rico nem Hong Kong chegam a ameaçar potências do futebol mundial. Ainda assim, a existência dessas seleções fortalece o desenvolvimento local do esporte, cria competições de base, gera empregos para técnicos e atletas, e mantém viva uma identidade esportiva regional que, de outra forma, ficaria apagada dentro da seleção nacional do país ao qual pertencem.
O que pode mudar (ou não) no futuro
A tendência é de estabilidade. A Fifa não tem sinalizado qualquer intenção de revisar o status desses territórios com direito adquirido, e tampouco voltou a flexibilizar a regra para novos casos. Enquanto isso, Porto Rico e Hong Kong seguem como lembretes vivos de uma época em que a filiação à Fifa dependia menos de soberania política e mais de estrutura esportiva organizada.
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