As duas regiões pertencem à mesma coroa dinamarquesa, mas só uma tem seleção oficial reconhecida pela Fifa. O gelo, e não a política, é o que separa essas duas histórias.
O Reino da Dinamarca é formado por três partes: a Dinamarca continental, as Ilhas Faroe e a Groenlândia. No futebol, porém, apenas duas delas existem oficialmente para a Fifa. As Ilhas Faroe disputam Eliminatórias europeias desde os anos 1990, já incomodando seleções grandes em algumas campanhas. A Groenlândia, território cinco vezes maior que a própria Dinamarca, segue de fora. A explicação não é política, é geográfica e climática.
Como as Ilhas Faroe conquistaram sua vaga
A federação das Ilhas Faroe se filiou à Fifa em 1988. O primeiro jogo oficial foi um amistoso contra a Islândia, com derrota por 1 a 0. Pouco depois, veio a filiação à UEFA, a tempo de disputar as Eliminatórias da Eurocopa de 1992. O grupo era difícil, com Iugoslávia, Dinamarca, Áustria e Irlanda do Norte. Mesmo sem estádio homologado, precisando jogar suas partidas em solo sueco, a seleção faroesa surpreendeu ao vencer a Áustria por 1 a 0 em setembro de 1990, um dos resultados mais lembrados da história do futebol amador europeu.
Desde então, as Ilhas Faroe se tornaram conhecidas justamente por essas zebras pontuais contra seleções de peso, mesmo enfrentando dificuldades estruturais como clima rigoroso e população pequena, hoje em torno de 54 mil habitantes.
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Por que a Groenlândia segue fora
A Groenlândia tem mais de 56 mil quilômetros de costa e território coberto por gelo na maior parte do ano. A federação local existe e organiza um campeonato nacional desde os anos 1970, mas enfrenta um obstáculo que nenhuma reforma estrutural resolve facilmente: não há gramado natural que sobreviva ao clima da região. Os campos disponíveis usam grama sintética de gerações antigas, fora dos padrões atuais exigidos pela Fifa para jogos oficiais.
Além do problema do gramado, o calendário esportivo da Groenlândia é afetado diretamente pelo clima extremo. Boa parte do ano, viagens de equipes visitantes seriam inviáveis, o que dificultaria qualquer tentativa de disputar Eliminatórias dentro dos prazos normais da Fifa e da Concacaf, confederação que aceitaria a Groenlândia como membro caso a filiação avançasse.
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A diferença real entre os dois casos
Tanto Ilhas Faroe quanto Groenlândia são territórios autônomos dentro do Reino da Dinamarca, com governos locais e ampla autonomia administrativa. A diferença está no momento político de cada filiação e nas condições físicas de cada território. As Ilhas Faroe conseguiram autonomia política suficiente para buscar a filiação à Fifa já nos anos 1980, antes de qualquer endurecimento de regras. A Groenlândia tenta avançar nesse processo há anos, mas o problema de infraestrutura esportiva, ligado diretamente ao clima, segue sem solução definitiva.
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Um detalhe pouco conhecido: a Groenlândia já jogou torneios alternativos
Apesar de fora da Fifa, a Groenlândia participa de competições não oficiais, como os Jogos das Ilhas e torneios da CONIFA. A seleção até manifestou interesse, em diferentes momentos, em se filiar à Concacaf como membro associado, seguindo um caminho parecido ao de territórios caribenhos como Porto Rico ou Bermudas. Até hoje, esse processo não avançou de forma definitiva.
O que isso representa para o futebol nórdico
O contraste entre as duas regiões dinamarquesas mostra como infraestrutura básica pode pesar mais que tradição ou paixão pelo esporte. A Groenlândia tem um campeonato nacional ativo, torcida e história, mas segue impedida de competir oficialmente pelas mesmas regras que permitiram às Ilhas Faroe se tornarem uma seleção respeitada na Europa.
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O futuro da filiação groenlandesa
Enquanto o clima e a infraestrutura não mudarem, a Groenlândia deve continuar restrita a torneios alternativos. Mudanças climáticas, paradoxalmente, poderiam alterar esse cenário no longo prazo, ao tornar viável a manutenção de gramados naturais em mais meses do ano. Até que isso aconteça, as Ilhas Faroe continuam sendo a única representação oficial do extremo norte dinamarquês nos gramados internacionais.
