As 4 Seleções do Grupo G
A Bélgica vive o fim de uma era dourada e a tentativa de construir um novo ciclo sem apagar a chama que restou. A chamada “Geração de Ouro” — De Bruyne, Lukaku, Courtois, Hazard — está na reta final das carreiras, com lesões e oscilações frequentes. Ao mesmo tempo, Jérémy Doku (Manchester City) emerge como o novo rosto dos Diabos Vermelhos: veloz, imprevisível e com qualidade técnica para ser um dos jogadores mais empolgantes da Copa. A Bélgica chegou às eliminatórias com autoridade — passou como um trator no seu grupo europeu —, mas as dúvidas sobre os veteranos persistem.
Estilo de jogo: transições velozes, jogo pelas pontas, criação pelo meio com De Bruyne. Mais organizada defensivamente do que há 4 anos.
Nas Eliminatórias Europeias, a Bélgica foi a mais consistente de seu grupo: 5 vitórias e 3 empates em 8 jogos. Marcou 29 gols e sofreu apenas 7 — uma das melhores campanhas da UEFA. Doku, De Bruyne e Lukaku foram os principais pontuadores. A classificação veio com tranquilidade, ainda que o time tenha mostrado algumas fragilidades defensivas contra adversários mais organizados.
Rudi Garcia, 60 anos. Francês com vasta experiência europeia — comandou Lille, Roma, Nápoles e Lyon, além da seleção da Arábia Saudita. Chegou à Bélgica em 2023 para suceder Domenico Tedesco. Pragmático, valoriza organização defensiva e transições rápidas. Ainda tenta equilibrar o uso dos veteranos com a inserção dos jovens. É experiente em gerenciar grupos de ego elevado — o que é essencial neste vestiário.
Pontos Fortes: Doku como desequilibrador de nível mundial; Courtois como goleiro de elite; De Bruyne ainda criativo mesmo veterano; Lukaku decisivo em grandes jogos.
Pontos Fracos: Dependência excessiva de De Bruyne, que tem histórico de lesões; Lukaku oscila muito; lateral direita inconsistente; geração envelhecida sem substituto à altura.
Média de gols marcados (últimos 10 jogos): 2.4 por jogo. Média de gols sofridos: 0.9 por jogo.
- De Bruyne no crepúsculo: Com 33 anos e histórico recente de lesões musculares graves, sua participação plena no Mundial não está garantida.
- Lukaku — gênio ou problema? Artilheiro histórico da seleção, mas polêmico, irregular e sem clube de prestígio na Europa nos últimos anos.
- Courtois pós-cirurgia: O goleiro do Real Madrid voltou bem de uma lesão grave no joelho, mas a Copa será seu primeiro grande torneio desde 2022.
- Pressão acumulada: A Bélgica nunca ganhou a Copa. A geração mais talentosa de sua história (2014–2022) não entregou o título — e a cobrança sobre os que ficaram é brutal.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Fase de Grupos | Caiu com Marrocos, Croácia e Canadá — fim decepcionante da geração de ouro |
| 2018 — Rússia | 3º Lugar 🥉 | Melhor Copa — virada épica sobre o Japão, derrota para França na semifinal |
| 2014 — Brasil | Quartas de Final | Geração de ouro na estreia — perdeu para a Argentina por 1–0 |
| 1986 — México | 4º Lugar | Histórica campanha — perdeu para a Argentina de Maradona na semi |
A Bélgica é a favorita clara do Grupo G e deve avançar com facilidade. O grupo, composto por Egito, Irã e Nova Zelândia, é o mais acessível do torneio para os Diabos Vermelhos. A grande questão não é se passa de fase, mas até onde vai no mata-mata. Com De Bruyne e Courtois saudáveis, as quartas ou semifinais são objetivos razoáveis. Um eventual título seria a redenção de uma geração que nunca entregou o prometido.
O Egito é a maior potência do futebol africano em termos históricos — sete títulos da Copa Africana de Nações — mas curiosamente nunca avançou de uma fase de grupos em Copa do Mundo. Em 2026, a seleção chega com a missão de quebrar esse tabu carregando nas costas o maior jogador de sua história: Mohamed Salah, que estará com 34 anos, mas ainda em altíssimo nível no Liverpool. Ao lado dele, Omar Marmoush (Manchester City) representa a nova geração. O técnico Hossam Hassan — lenda do futebol egípcio com mais de 70 gols pela seleção — tem o desafio de montar um time equilibrado ao redor das suas estrelas.
Estilo de jogo: sólido defensivamente, contragolpe veloz com Salah na ponta. A equipe é bem organizada e disciplinada taticamente.
O Egito foi dominante nas Eliminatórias Africanas: 8 vitórias e 2 empates em 10 jogos. Marcou 20 gols e sofreu apenas 2 — a melhor defesa de todo o continente africano nas eliminatórias. Salah e Marmoush foram os artilheiros do grupo. A classificação veio com folga e antecedência, o que permitiu ao técnico testar variações táticas nos últimos jogos.
Hossam Hassan, 59 anos. O maior artilheiro da história da seleção egípcia — 69 gols em 169 jogos. Como treinador, é respeitado internamente, mas ainda com poucos títulos expressivos. Sua maior qualidade é o relacionamento com os jogadores e a gestão do vestiário. Taticamente, preza pela solidez defensiva e pelo contragolpe preciso. O desafio é fazer a equipe jogar ofensivamente quando necessário, além do contra-ataque padrão.
Pontos Fortes: Salah ainda em nível elite; Marmoush em explosão no City; defesa compacta e difícil de furar; Elneny como âncora do meio campo.
Pontos Fracos: Dependência absurda de Salah — sem ele, o ataque perde 70% da criatividade; histórico traumático em Copas (0 vitórias em 7 jogos); Hossam Hassan ainda não provado em torneios desta dimensão.
Média de gols marcados (últimos 10 jogos): 1.6 por jogo. Média de gols sofridos: 0.5 por jogo.
- A maldição das fases de grupos: O Egito disputou 7 jogos em Copas e nunca venceu nenhum. Quebrar esse tabu é condição mínima para o sucesso em 2026.
- Salah aos 34: Ainda é genial, mas não tem mais o mesmo ritmo de 2019. Gerir seus minutos e mantê-lo em plena forma durante o torneio é fundamental.
- Elneny veterano: O volante do Arsenal tem 32 anos e seu físico pode ser testado nos três jogos consecutivos da fase de grupos.
- Grupo acessível, mas: O Egito tem as melhores condições de avançar como 2º colocado — mas qualquer deslize pode custar caro com Irã e Nova Zelândia também competitivos.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2018 — Rússia | Fase de Grupos | Salah se machucou no Mundial dos Clubes antes — jogou na Copa ainda se recuperando |
| 1990 — Itália | Fase de Grupos | Empate com República da Irlanda (0–0) — grande Copa defensiva |
| 1934 — Itália | 1ª Rodada | Primeira participação — eliminado pela Hungria |
O Grupo G é o mais acessível que o Egito poderia pegar. Sem Alemanha, Brasil, França ou Argentina no caminho, a chance de finalmente vencer um jogo de Copa — e quem sabe duas — nunca foi tão grande. Com Salah e Marmoush em forma, avançar como 2º colocado é um objetivo concreto. As oitavas de final seria um feito histórico para o maior país do norte da África.
O Irã chega à Copa de 2026 com o quarto Mundial consecutivo — uma consistência asiática notável — mas carregando um peso extrafutebolístico que poucos times enfrentam: a Copa é disputada nos EUA, país com o qual o Irã tem uma das relações diplomáticas mais tensas do planeta. Em campo, o “Team Melli” tem em Mehdi Taremi (Olympiacos) seu grande líder, e uma geração madura acostumada a jogar em ligas europeias. A campanha nas Eliminatórias Asiáticas foi dominante — 11 vitórias em 16 jogos —, o que indica um time bem estruturado e confiante.
Estilo de jogo: organizado defensivamente, forte no contra-ataque, com Taremi como referência ofensiva central. Joga em bloco baixo e aposta na eficiência.
O Irã foi a seleção asiática com mais vitórias nas Eliminatórias: 11 vitórias, 4 empates e 1 derrota em 16 jogos. Marcou 35 gols — mais do que qualquer outro time da AFC. Taremi e Azmoun foram os artilheiros. A classificação foi tranquila, e o time chegou à fase final em boa forma física e coletiva.
Amir Ghalenoei, 54 anos. Ex-jogador da seleção iraniana, assumiu o comando após o ciclo de Carlos Queiroz. Seu estilo é pragmático: blocos defensivos compactos e transições rápidas. Tem profundo conhecimento do futebol local e boa relação com os jogadores iranianos que atuam no exterior. Ponto de pressão: lidar com o clima político em torno da seleção, que foi palco de protestos históricos na Copa de 2022.
Pontos Fortes: Solidez defensiva testada pelas Eliminatórias Asiáticas; Taremi como matador de área; jogadores experientes em ligas europeias; mentalidade forte de equipe.
Pontos Fracos: Jogo dependente de Taremi; criatividade limitada no meio; clima político externo pode afetar a concentração; histórico de nunca ter avançado de uma fase de grupos.
Média de gols marcados (Eliminatórias): 2.2 por jogo. Média de gols sofridos: 0.75 por jogo.
- Contexto político: Na Copa de 2022, jogadores do Irã se recusaram a cantar o hino em sinal de protesto — um gesto histórico. Em 2026, jogar nos EUA, país em tensão com o Irã, adiciona pressão extra.
- Dependência de Taremi: Sem o centroavante, o Irã perde referência ofensiva quase total. Azmoun como alternativa precisa estar em forma.
- Nunca passou da fase de grupos: Em 6 Copas disputadas, o Irã nunca venceu dois jogos em um mesmo torneio. A mentalidade de grande competição ainda é um obstáculo.
- Beiranvand e lesões: O goleiro titular tem histórico de problemas físicos que podem comprometer sua presença plena.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Fase de Grupos | Goleou o País de Gales (2–0) — protesto contra o hino marcou o torneio |
| 2018 — Rússia | Fase de Grupos | Empate com Portugal (1–1) — quase eliminou os lusitanos |
| 2014 — Brasil | Fase de Grupos | Empate histórico com a Argentina (1–1) — Messi decidiu no fim |
| 1998 — França | Fase de Grupos | Vitória sobre os EUA (2–1) — um dos confrontos políticos mais marcantes da Copa |
O Irã tem condições de surpreender no Grupo G. Taticamente sólido e com Taremi em bom momento, pode complicar a vida do Egito e até da Bélgica se estiver muito bem posicionado. Avançar como 3º colocado ainda seria um feito considerável. O contexto extrafutebolístico é o principal obstáculo — o time precisará de foco total para não deixar as circunstâncias atrapalhar o desempenho em campo.
A Nova Zelândia — conhecida como “All Whites” — é a seleção oceânica mais consistente e chega ao seu terceiro Mundial depois de uma ausência de 16 anos. A campanha de classificação foi simplesmente impecável: 100% de aproveitamento, com 29 gols marcados e apenas 1 sofrido. Esse número impressionante, porém, reflete o nível das Eliminatórias da OFC — a confederação mais fraca do futebol mundial, sem Brasil, Argentina ou potências europeias no caminho. O grande desafio é transportar essa dominância regional para o cenário global. Chris Wood (Nottingham Forest) é o nome do futebol neo-zelandês.
Estilo de jogo: físico e direto, com bolas longas para Wood. Sem sofisticação técnica dos favoritos, mas com organização e determinação.
A Nova Zelândia dominou as Eliminatórias da OFC de ponta a ponta: 10 vitórias em 10 jogos, com 29 gols a favor e 1 contra — uma das campanhas mais dominantes em qualquer zona classificatória do mundo. Passou por Fiji, Nova Caledônia, Ilhas Salomão e Papua Nova Guiné. Chris Wood foi o artilheiro da campanha com 8 gols.
Darren Bazeley, 53 anos. Ex-jogador inglês (atuou pelo Watford), fez a maior parte da carreira técnica em categorias de base britânicas antes de assumir a Nova Zelândia em 2023. Trabalha com pragmatismo e disciplina tática. Valoriza a organização defensiva e o uso eficiente dos pontos fortes do elenco — especialmente a altura e a força física no jogo aéreo. É realista sobre as limitações do time frente às potências do Grupo G.
Pontos Fortes: Chris Wood como centroavante completo da Premier League; jogo aéreo muito forte; disciplina e organização defensiva; nada a perder — mentalidade livre.
Pontos Fracos: Nível técnico geral muito abaixo da Bélgica e Egito; Eliminatórias da OFC não preparam para o nível da Copa; falta de experiência coletiva em Mundiais; Wood depende muito de bolas longas.
Aproveitamento Eliminatórias: 100%. Gols marcados: 29. Gols sofridos: 1.
- Abismo entre OFC e Copa: As seleções da Oceania são significativamente mais fracas do que as europeias, africanas e sul-americanas. Os 100% de aproveitamento podem mascarar a real qualidade do time.
- Wood com 33 anos: O artilheiro histórico da seleção está no fim da carreira e pode não ter o mesmo rendimento dos jogos de alta intensidade que uma Copa exige.
- Pouquíssima profundidade: Além de Wood, o elenco não tem jogadores de nível europeu top. Se ele se machucar, o time perde quase toda sua ameaça ofensiva.
- Pouca experiência coletiva: A maioria dos jogadores nunca disputou um Mundial. O impacto psicológico de jogar contra Bélgica e Egito pode ser enorme.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2010 — África do Sul | Fase de Grupos | Único time invicto da Copa! Três empates (Eslováquia, Itália, Paraguai) — não avançou mesmo assim |
| 1982 — Espanha | Fase de Grupos | Estreia na Copa — perdeu os 3 jogos (Escócia, URSS, Brasil) com saldo de -11 |
A Nova Zelândia é honesta em seus objetivos: competir com dignidade, causar ao menos um susto e talvez repetir o feito de 2010 — sair sem derrotas. O Grupo G é muito difícil, mas o Irã pode ser um adversário mais equilibrado. Um empate ou vitória contra os iranianos seria a maior conquista do futebol neo-zelandês. Chegar às oitavas seria um milagre histórico para a Oceania.
