As 4 Seleções do Grupo F
A Holanda é provavelmente a maior seleção da história que nunca ganhou uma Copa do Mundo. Três finais perdidas — 1974 para a Alemanha, 1978 para a Argentina, 2010 para a Espanha — transformaram a Laranja Mecânica no símbolo máximo da “trágica grandiosidade” do futebol. Em 2026, com um elenco sólido e equilibrado, vem mais uma tentativa.
Ronald Koeman está de volta ao comando (sua segunda passagem) depois de trabalhar na seleção entre 2018 e 2020 e no Barcelona. O projeto é pragmático: Van Dijk como líder absoluto na defesa, Frenkie de Jong organizando o meio, e um trio ofensivo devastador com Memphis Depay (artilheiro histórico), Cody Gakpo e Xavi Simons. Corinthians torcedor: Memphis ainda está com o clube brasileiro e pode ser convocado — confirmando um dos vínculos mais inusitados do futebol mundial.
Estilo de jogo: 4-3-3 clássico com posse de bola, transições rápidas e verticalidade pelos flancos. Koeman é pragmático — prioriza o resultado acima do espetáculo.
Nas Eliminatórias Europeias, a Holanda foi líder do Grupo G com folga: seis vitórias em oito jogos, terminando com 26 pontos à frente da Polônia. A campanha incluiu goleadas e demonstrou solidez defensiva e produtividade ofensiva com Memphis anotando 8 gols — tornando-se o maior artilheiro da história da Oranje, ultrapassando o lendário Robin van Persie. Nos amistosos preparatórios, venceu a Noruega por 2–1 (com Van Dijk e Reijnders) e empatou 1–1 com o Equador.
Ronald Koeman, 62 anos. Lenda como jogador — marcou o gol que deu à Holanda o único título grande, a Eurocopa de 1988. Como técnico, trabalhou no Southampton, Valencia, Everton, Barcelona e na própria seleção holandesa (1ª passagem: 2018–2020, levou ao final da Liga das Nações). Voltou em 2023 e conduziu a equipe às semifinais da Euro 2024 (perdeu para a Inglaterra). Seu histórico com a Oranje é positivo. Ponto crítico: nunca ganhou uma grande competição como técnico.
Pontos Fortes: Van Dijk como um dos melhores zagueiros do mundo; Frenkie de Jong como organizador magistral; Memphis como experiência ofensiva com instinto goleador; equilíbrio em todas as linhas; ranking #7 — uma das melhores seleções do planeta.
Pontos Fracos: Histórico traumático de finais perdidas — a seleção carregar esse peso psicológico; Frenkie de Jong com histórico de lesões; Koeman nunca ganhou uma grande competição como técnico; Memphis está no Corinthians — nível de liga bem inferior ao usual.
Eliminatórias: líder do Grupo G com 6V 2E 0D e 26 pontos. Memphis marcou 8 gols no ciclo, tornando-se o maior artilheiro da história da seleção holandesa.
- O trauma das finais: 1974 (derrota para Alemanha), 1978 (derrota para Argentina), 2010 (derrota para Espanha). A Holanda é a grande seleção que mais sofreu na história das finais de Copa.
- Frenkie de Jong e os pênaltis: Na Euro 2024, a Holanda foi eliminada pela Inglaterra nas semifinais em um jogo dramático. O problema de não fechar partidas em vantagem é recorrente.
- Memphis no Corinthians: O artilheiro histórico da Holanda joga no futebol brasileiro — nível de competição bem inferior aos outros países representados no grupo. Sua forma física e ritmo de jogo são questionados.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Oitavas de Final | Eliminou os EUA (3–1); perdeu para a Argentina nos pênaltis após empate 2–2 |
| 2014 — Brasil | 3º Lugar 🏅 | Eliminou Espanha (5–1!), Costa Rica e Argentina. Perdeu para Argentina na final (pênaltis) |
| 2010 — África do Sul | Vice-campeã | Perdeu para a Espanha por 1–0 na prorrogação. Robben perdeu chance clara nos acréscimos |
| 1974 — Alemanha | Vice-campeã | Cruyff e o Futebol Total. Lideraram por 1–0 antes de um alemão tocar na bola, mas perderam 2–1 |
A Holanda é a favorita do Grupo F. O adversário mais perigoso é o Japão, que no duelo de abertura (14 de junho em Dallas) pode definir o rumo da chave. Se passar em 1º, enfrenta o 2º do Grupo C (Marrocos provável) nas oitavas — jogo de altíssimo nível. O caminho até a final existe, mas exige superar o peso da história e a maldição dos momentos decisivos.
O Japão não é mais uma surpresa — é uma potência. Os Samurai Blue foram o primeiro time não-sede a garantir vaga na Copa de 2026 (em março de 2025), com uma campanha absolutamente dominante nas Eliminatórias Asiáticas. Em 2022, eliminaram Alemanha e Espanha na fase de grupos, e em 2026 chegam ainda mais fortes e respeitados.
Moriyasu, técnico desde 2018, construiu um dos sistemas táticos mais bem azeitados do futebol mundial. O 3-4-2-1 com pressing alto, recuperação rápida e velocidade esmagadora nos flancos — Mitoma (Brighton) pela esquerda, Kubo (Real Sociedad) pela direita — tem desnorteado até as melhores defesas europeias. Vitórias recentes sobre Brasil e Escócia (1–0 cada) confirmam que o Japão chegará ao Grupo F como candidato sério à classificação.
Nas Eliminatórias Asiáticas (3ª fase), o Japão foi líder isolado do Grupo C com campanha histórica: 13V 2E 1D em 16 jogos totais, média de quase 3 gols por jogo, apenas 1 gol sofrido em sete partidas iniciais. Goleou a China por 7–0 fora de casa na estreia da 3ª fase. Classificou-se com três rodadas de antecedência — o 1º classificado do mundo em 2025.
Hajime Moriyasu, 57 anos. Japonês — ex-jogador da seleção. Técnico da Seleção desde 2018, após ter trabalhado nas categorias de base e como assistente. Em suas mãos, o Japão alcançou o melhor momento de sua história: vice-campeão da Copa Asiática, classificado para todas as Copas do mundo sob seu comando, e um sistema de jogo que é estudado por analistas europeus. Sua evolução do 4-2-3-1 para o 3-4-2-1 deu muito mais profundidade e solidez ao time.
Pontos Fortes: Sistema tático entre os mais bem organizados do mundo; velocidade devastadora com Mitoma e Kubo nos flancos; pressing alto que sufoca qualquer adversário; Moriyasu como um dos melhores técnicos da geração; única seleção asiática com múltiplas estrelas no topo do futebol europeu.
Pontos Fracos: Estatura média baixa — desvantagem em duelos aéreos contra europeus; dependência do sistema coletivo pode ser vulnerável se Kubo ou Mitoma forem bem marcados; ainda sem grande experiência em fases eliminatórias avançadas.
Eliminatórias Asiáticas: 13V 2E 1D em 16 jogos totais. Média de quase 3 gols por jogo na 3ª fase. Vitória histórica sobre o Brasil em outubro de 2025 num amistoso em Tóquio.
- Kubo e lesões: Takefusa Kubo ficou de fora de alguns amistosos por lesão antes do Mundial. Se não estiver 100%, a criatividade ofensiva japonesa é drasticamente reduzida.
- Endo e os anos: O capitão e coração do meio-campo tem 31 anos — o tempo pode pesar em um torneio com partidas a cada 3-4 dias nas fases eliminatórias.
- A derrota para a Inglaterra: No amistoso de março 2026, o Japão perdeu por 1–0 para a Inglaterra com elenco alternativo. Sinalizou que contra as melhores seleções europeias com bola, pode ter dificuldades.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Oitavas de Final | Eliminou Alemanha e Espanha na fase de grupos. Caiu para a Croácia nos pênaltis (1–1, 3–1 pênaltis) |
| 2018 — Rússia | Oitavas de Final | Perdeu para a Bélgica por 3–2 após liderar por 2–0 — uma das maiores viradas da história das Copas |
| 2010 — África do Sul | Oitavas de Final | Perdeu para o Paraguai nos pênaltis |
| 2002 — Japão/Coreia | Oitavas de Final | Co-sede e melhor resultado — eliminou Rússia e perdeu para a Turquia |
O Japão é o principal rival da Holanda no Grupo F — e o duelo de abertura (14 de junho em Dallas) pode decidir a liderança da chave. Se o Japão vencer a Holanda, terá caminho aberto para as oitavas como 1º colocado. O objetivo da seleção é claro: passar das oitavas de final pela primeira vez na história — algo que não aconteceu em quatro tentativas consecutivas. Com esta geração e este sistema, é a chance mais concreta que o Japão já teve.
A Suécia chegou à Copa de 2026 pela porta dos fundos — e com muito drama. Após uma campanha eliminatória decepcionante (terminou em último no grupo europeu!), garantiu o direito de disputar a repescagem via Nations League e transformou esse caminho alternativo em classificação épica. Na semifinal, Viktor Gyökeres aplicou um hat-trick sobre a Ucrânia. Na final contra a Polônia, marcou o gol decisivo nos minutos finais — 3–2 — garantindo a 13ª Copa da história sueca.
Graham Potter, técnico inglês ex-Brighton e Chelsea, assumiu em 2025 o desafio de construir a próxima geração sueca. Com Gyökeres — artilheiro do Arsenal e um dos cinco melhores centroavantes do mundo no momento — como ponto focal, e um elenco de jogadores europeus de médio-alto nível, a Suécia entra no Grupo F como a 3ª força, mas não pode ser subestimada.
Campanha eliminatória europeia catastrófica: 0 vitórias, 2 empates, 4 derrotas — último do grupo. Mas salvou-se pela Nations League. Na repescagem: venceu a Ucrânia na semifinal (3–1, hat-trick de Gyökeres) e a Polônia na final (3–2, gol decisivo de Gyökeres nos minutos finais). Um caminho completamente atípico, que deixa dúvidas sobre o nível real da seleção, mas confirma que Gyökeres pode sozinho mudar o destino de um jogo.
Graham Potter, 50 anos. Inglês, ex-Brighton e Chelsea. No Brighton construiu um dos projetos mais elogiados do futebol europeu moderno — futebol de posse sofisticado, com identidade clara. No Chelsea, não deu certo por conta da pressão e instabilidade do clube. Assumiu a Suécia em 2025 como oportunidade de reconstrução pessoal. Com fama de técnico de processo (não de resultado imediato), pode ser perfeito para a construção sueca de longo prazo — mas em uma Copa, tempo é escasso.
Pontos Fortes: Gyökeres como um dos melhores centroavantes do mundo no momento — goleador, físico, veloz e técnico; Elanga com velocidade e desequilíbrio; Lindelöf como zagueiro de experiência; organização defensiva com três na linha.
Pontos Fracos: Campanha eliminatória zero vitórias — elenco claramente abaixo do nível esperado para os grupos; ausência de Isak (lesão) e Kulusevski retira opções de qualidade; dependência excessiva de Gyökeres — se for bem marcado, a Suécia fica sem plano B; pouco tempo de trabalho com Potter.
Nas Eliminatórias: 0V 2E 4D — último do grupo. Salvou-se pela Nations League. Na repescagem: Gyökeres decisivo nas duas partidas com 4 gols em 2 jogos.
- Campanha eliminatória preocupante: Zero vitórias em seis jogos nas eliminatórias diretas é o pior histórico que uma seleção classificada pode ter. Sinaliza inconsistência real do grupo fora de momentos decisivos.
- Isak ausente: Alexander Isak (Newcastle), que seria o artilheiro natural da seleção ao lado de Gyökeres, ficou de fora da repescagem por lesão. Se não se recuperar, a Suécia perde uma de suas principais opções ofensivas.
- Kulusevski também fora: Dejan Kulusevski (Tottenham) também estava ausente. As duas maiores opções de criação e finalização da Suécia foram desfalques na repescagem.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2018 — Rússia | Quartas de Final | Eliminou a Suíça; perdeu para a Inglaterra (0–2). Última Copa antes de 2026 |
| 2006 — Alemanha | Oitavas de Final | Perdeu para a Alemanha (0–2). Zlatan Ibrahimović era jovem e não decidia |
| 1994 — EUA | 3º Lugar 🏅 | Com Kennet Andersson e Tomas Brolin. A última grande campanha sueca |
| 1958 — Suécia | Vice-campeã | Perdeu para o Brasil de Pelé por 5–2 na final. O Brasil de Garrincha e Pelé foi irreparável |
A Suécia entra como a 3ª força do Grupo F. Para avançar, precisa vencer a Tunísia (obrigatório) e brigar por pontos contra Holanda ou Japão. Se Gyökeres estiver no seu melhor nível — como estava na repescagem — qualquer resultado é possível. Se ele for contido, a Suécia tem poucas alternativas. É uma Copa de Gyökeres: ou ele carrega o time, ou a Suécia cai na fase de grupos.
A Tunísia acumula sete participações em Copas do Mundo — e em nenhuma delas passou da fase de grupos. As Águias de Cartago chegam a 2026 com a ambição de escrever um novo capítulo nessa história de frustrações repetidas. A campanha nas Eliminatórias Africanas foi notável: a Tunísia se tornou a primeira seleção da história a se classificar para uma Copa sem sofrer um único gol — feito alcançado em outubro de 2025.
O meio-campo liderado por Ellyes Skhiri (Eintracht Frankfurt) é o coração do time — inteligente, físico, presente em todas as fases do jogo. O veterano Wahbi Khazri, maior artilheiro tunisiano em Copas, ainda pode estar na lista. A defesa é sólida e experiente. O problema, como sempre, é a criação ofensiva e a falta de um artilheiro confiável para jogos de alta intensidade.
Nas Eliminatórias Africanas, a Tunísia concluiu a campanha sem sofrer um único gol — a primeira seleção da história a atingir esse feito numa campanha classificatória para a Copa do Mundo. Seis vitórias consecutivas com zero gols sofridos são o símbolo da solidez defensiva que Lamouchi construiu. O grupo, no entanto, era relativamente modesto: Guiné Equatorial, Tanzânia e outros adversários de menor expressão continental.
Sabri Lamouchi, 52 anos. Tunisiano-francês — ex-jogador da seleção francesa. Como técnico, passou pelo Ivory Coast (chegou às semifinais da Copa Africana em 2012), Nottingham Forest, entre outros. Assumiu a Tunísia com a missão de finalmente levar as Águias além da fase de grupos. Seu trabalho nas eliminatórias foi excelente — a defesa nunca sofreu um gol. O desafio agora é repetir no palco do Mundial contra adversários de outro nível.
Pontos Fortes: Defesa entre as mais sólidas da CAF — e historicamente nunca sofreu gol nas eliminatórias; Skhiri como um dos melhores meios-campistas defensivos do continente; organização tática muito disciplinada; surpresa histórica de 1978 (1ª vitória africana em Copa) está no DNA da seleção.
Pontos Fracos: Nunca passou da fase de grupos em 7 edições (o pior retrospecto entre seleções com muitas participações); falta de criatividade e artilheiro de nível mundial; os adversários do Grupo F — Holanda e Japão — são muito acima do nível das eliminatórias africanas.
Eliminatórias: feito histórico — primeira seleção a se classificar para uma Copa do Mundo sem sofrer um gol sequer. Seis vitórias, zero gols sofridos. Solidez defensiva comprovada.
- Maldição da fase de grupos: Sete participações, sete eliminações na fase de grupos. A maldição psicológica e histórica pesa muito em momentos decisivos.
- Nível dos adversários nas Eliminatórias: Guiné Equatorial, Tanzânia, São Tomé e Príncipe — a solidez defensiva foi testada contra adversários muito inferiores ao que encontrará no Grupo F.
- Transição geracional: Khazri envelhece, e os jovens como Mejbri ainda não mostraram o mesmo nível com consistência. O meio-termo entre experiência e renovação ainda está sendo encontrado.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Fase de Grupos | Venceu a França campeã por 1–0! Mas caiu pelo critério de fair play — não avançou |
| 2018 — Rússia | Fase de Grupos | Perdeu para Inglaterra e Bélgica; venceu o Panamá (2–1, gol de Khazri) |
| 2006 — Alemanha | Fase de Grupos | Empate com Arábia Saudita; derrotas para Ucrânia e Espanha |
| 1978 — Argentina | Fase de Grupos | Primeira vitória africana em Copa: 3–1 sobre o México. Marco histórico do futebol africano |
Em 2022, a Tunísia venceu a França (campeã vigente) por 1–0 — e ainda assim foi eliminada por critérios de fair play em favor da Austrália. Uma das maiores injustiças da história recente das Copas.
A Tunísia entra como a quarta força do Grupo F, mas é qualquer coisa menos inofensiva. Para passar das oitavas pela primeira vez na história, precisa de pelo menos dois pontos contra Suécia e Holanda, e uma vitória contra o Japão seria sensacional. A defesa sólida pode segurar resultados, mas o ataque precisa criar mais do que foi capaz nas eliminatórias africanas.
