As 4 Seleções do Grupo K
Portugal chega ao Grupo K com a questão mais debatida do futebol mundial: até quando Cristiano Ronaldo? Com 41 anos na Copa de 2026, CR7 será o jogador mais velho a disputar um Mundial entre os grandes candidatos ao título. Mas a realidade é que Portugal, mesmo sem depender mais de Ronaldo individualmente, tem um dos elencos mais talentosos do mundo. Bruno Fernandes é o verdadeiro motor criativo, Vitinha organiza o jogo com maestria, e Rafael Leão tem capacidade de decidir partidas com um único drible. Roberto Martínez construiu uma seleção coletiva, corajosa e com identidade clara — já campeã da Euro 2016 e da Nations League.
Estilo de jogo: posse elaborada, combinações pelo meio com transições rápidas pelas pontas. Time equilibrado e muito difícil de bater.
Portugal foi o líder absoluto do seu grupo nas Eliminatórias Europeias: 8 vitórias e 2 empates em 10 jogos. O ataque foi demolidor — 29 gols marcados —, com Bruno Fernandes, Ronaldo e Rafael Leão como artilheiros. A defesa foi sólida, sofrendo apenas 6 gols. A classificação veio com rodadas de antecedência, o que permitiu ao técnico rodar o elenco e testar variações táticas.
Roberto Martínez, 51 anos. O espanhol assumiu Portugal após o fim do ciclo Fernando Santos em 2022. Trouxe uma filosofia mais ofensiva e coletiva, afastando a dependência excessiva de Ronaldo. Valoriza a posse de bola, a pressão após perda e a variedade tática. Seu trabalho com a seleção belga (2016–2022), levando-a ao 3º lugar na Copa de 2018, mostrou que sabe gerir estrelas e construir equipes vencedoras. Ponto de atenção: em Copa do Mundo, ainda não passou das quartas como treinador.
Pontos Fortes: Rúben Dias como defensor de nível mundial; Bruno Fernandes com liberdade criativa total; Rafael Leão desequilibra por velocidade e técnica; profundidade do elenco permite rotações sem queda de rendimento.
Pontos Fracos: A questão Ronaldo — quanto tempo de jogo lhe conceder sem comprometer o time? Sem um “9 clássico” além de CR7 (já aos 41), o gol pode ser um problema em jogos difíceis.
Média de gols marcados (últimos 10 jogos): 2.9 por jogo. Média de gols sofridos: 0.7 por jogo.
- Ronaldo aos 41: Será o jogador mais velho a disputar um Mundial entre os favoritos. Sua mobilidade e ritmo em alta intensidade são questões legítimas.
- Dependência de Bruno Fernandes: Se o meia do United for bem marcado ou se machucar, a criatividade de Portugal cai drasticamente.
- Histórico de decepções: Portugal tem elenco para ganhar Copas há 10 anos — mas ainda não passou das quartas de final. A “barreira mental” é real.
- Goleiro: Diogo Costa é excelente, mas ainda não foi testado em um torneio de alta pressão consecutiva como um Mundial.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Quartas de Final | Goleou a Suíça por 6–1, mas perdeu para o Marrocos — zebra histórica |
| 2006 — Alemanha | 4º Lugar | Melhor Copa moderna — Figo, Deco e Ronaldo jovem. Perdeu o 3º lugar para o anfitrião |
| 2002 — Japão/Coreia | Fase de Grupos | Eliminação vergonhosa — perdeu para os EUA e Coreia do Sul |
| 1966 — Inglaterra | 3º Lugar 🥉 | Eusébio liderou a melhor campanha da história — artilheiro com 9 gols |
O Grupo K é o mais acessível para Portugal — RD Congo, Uzbequistão e Colômbia são adversários manejáveis. A primeira fase deve ser tranquila. A grande questão é o mata-mata: Portugal tem elenco para chegar à final, mas carrega o peso histórico de nunca ter vencido a Copa. Com a geração Bruno Fernandes/Vitinha/Leão no auge e Ronaldo como lenda viva no banco ou no campo, 2026 pode ser finalmente o ano de Portugal.
A Colômbia chega a 2026 num dos melhores momentos de sua história recente — vice-campeã da Copa América de 2024, com uma campanha invicta de 28 jogos, a mais longa da história da seleção. Luis Díaz (Liverpool) e James Rodríguez (Rayo Vallecano) formam um dos duos mais criativos e desequilibrantes da América do Sul. Richard Ríos, jovem meia do Palmeiras, consolidou-se como uma das revelações do continente. A Colômbia tem velocidade, criatividade e coletividade — ingredientes para surpreender qualquer adversário.
Estilo de jogo: jogo ofensivo e veloz pelas pontas, com James orquestrando pelo meio. Pressão alta e transições rápidas como marcas do técnico Néstor Lorenzo.
A Colômbia foi a 3ª colocada das Eliminatórias Sul-Americanas: 8 vitórias, 4 empates e 4 derrotas. Marcou 27 gols — segunda melhor ofensiva atrás do Brasil. Luís Díaz foi o principal artilheiro. A campanha foi consistente, com destaque para vitórias sobre Argentina (2–1) e Equador (1–0). A classificação confirmou que a Colômbia voltou ao patamar de potência sul-americana que merece.
Néstor Lorenzo, 58 anos. Argentino que foi assistente de José Pékerman na era dourada da Colômbia (2012–2022). Assumiu o comando em 2022 e em pouco tempo se tornou o técnico mais querido da história recente da seleção. Construiu uma equipe com identidade clara — jogo ofensivo, alta intensidade e valorização dos jovens. Sua maior conquista foi a sequência invicta de 28 jogos. A Copa é o teste supremo da sua gestão.
Pontos Fortes: Luis Díaz é um dos atacantes mais eletrizantes do mundo no Liverpool; James ainda decide partidas com passes e chutes de fora da área; Jhon Durán como “super sub” ou titular — finalista nato.
Pontos Fracos: James Rodríguez já com 34 anos e declínio físico claro; defesa vulnerável em transições rápidas; Davinson Sánchez tem oscilações; em Copas, a Colômbia nunca foi além das quartas.
Média de gols marcados (últimos 10 jogos): 2.1 por jogo. Média de gols sofridos: 0.8 por jogo.
- James na despedida: Com 34 anos, esta será provavelmente sua última Copa. Sua forma física determina muito do potencial criativo da equipe.
- Durán — genialidade e impulsividade: O jovem atacante do Aston Villa é capaz de decidir jogos, mas tem histórico de cartões e saídas explosivas de controle.
- Defesa vulnerável a jogos aéreos: Em bolas alçadas e cruzamentos, a zaga colombiana sofre — algo que adversários racionais explorarão.
- Pressão pós-Copa América: O vice-campeonato em 2024 gerou enorme expectativa. Qualquer eliminação precoce será sentida como fracasso pelo torcedor.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2018 — Rússia | Oitavas de Final | Eliminada pela Inglaterra nos pênaltis — James Rodríguez fora por lesão |
| 2014 — Brasil | Quartas de Final 🌟 | Melhor Copa — James artilheiro com 6 gols, eliminada pelo Brasil (2–1) |
| 1994 — EUA | Fase de Grupos | Eliminação marcada pela tragédia — Andrés Escobar assassinado após gol contra |
| 1990 — Itália | Oitavas | Eliminada pela Camarões (0–2) — estreia memorável no novo formato |
A Colômbia disputa o 2º lugar do Grupo K com RD Congo, e as chances são bastante favoráveis. No mata-mata, a equipe tem capacidade de eliminar qualquer adversário num bom dia — especialmente se James e Díaz estiverem em sintonia. Chegar às quartas seria repetir 2014. Uma semifinal seria histórica. A Copa América 2024 mostrou que a Colômbia está de volta entre as grandes forças do futebol mundial.
A República Democrática do Congo chega à Copa de 2026 como o maior país africano em termos populacionais — mais de 100 milhões de habitantes —, com a segunda participação da história, 52 anos após a estreia como Zaire em 1974. A classificação via repescagem intercontinental, após vencer a Jamaica, foi celebrada com festas nas ruas de Kinshasa. O “Leopardo” tem em Dodi Lukébakio (Hertha Berlin depois Sevilha) seu jogador mais criativo, e em Chancel Mbemba o líder defensivo. Um grupo com qualidade, mas que tem o desafio de encarar Portugal e Colômbia.
Estilo de jogo: atletismo e velocidade como principais armas, com transições rápidas e qualidade técnica nos jogadores que atuam na Europa.
A RD Congo passou pelas Eliminatórias Africanas em 3º no grupo, garantindo vaga na repescagem intercontinental. Depois, enfrentou a Jamaica em dois jogos — e venceu por 1–0 no agregado, com gol decisivo em Kinshasa. A torcida enlouqueceu. O técnico Desabre organizou um time sólido defensivamente que aproveitou as transições rápidas para eliminar os caribenhos.
Sébastien Desabre, 48 anos. Técnico francês com vasta experiência no futebol africano — dirigiu Uganda, Ruanda e outras seleções do continente. Assumiu a RD Congo em 2022 e conduziu a equipe à Copa pela primeira vez em meio século. Seu estilo é pragmático e defensivamente organizado, apostando na velocidade nas transições para criar chances. É querido pelos jogadores e respeitado pela federação.
Pontos Fortes: Atletismo e velocidade excepcionais; Lukébakio é imprevisível e desequilbrador; Mbemba como liderança experiente; motivação histórica única.
Pontos Fracos: Diferença técnica considerável contra Portugal e Colômbia; Lokonga e o meio de campo ainda inconsistentes no alto nível; falta de experiência coletiva em Copa do Mundo.
Média de gols marcados (últimos 10 jogos): 1.4 por jogo. Média de gols sofridos: 0.8 por jogo.
- 52 anos de ausência: A RD Congo não joga uma Copa desde 1974 — quando ainda se chamava Zaire e sofreu uma infame goleada por 9–0 da Iugoslávia. A mentalidade de Copa precisa ser construída.
- Grupo desafiador: Portugal e Colômbia estão entre os 10 melhores do mundo. A RD Congo precisaria de resultados improváveis para avançar.
- Lukébakio — a aposta total: Se o atacante do Sevilla não estiver em dia, o poder ofensivo da seleção cai drasticamente.
- Infraestrutura limitada: A federação congolesa não tem os recursos das grandes potências — preparação e estrutura de suporte ao longo do torneio podem ser desafios.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2026 — América do Norte | 2ª participação | Classificação via repescagem intercontinental — 52 anos depois de 1974 |
| 1974 — Alemanha (como Zaire) | Fase de Grupos | Primeira e única Copa anterior — derrota por 9–0 para Iugoslávia marcou a estreia |
Para a RD Congo, estar na Copa do Mundo é em si uma conquista histórica. O Grupo K é muito difícil, mas a vitória sobre Uzbequistão é um objetivo concreto — o que já seria comemorado como um feito. Com Lukébakio num grande dia, pode complicar qualquer adversário. O legado mais importante desta participação, porém, é plantar a semente de uma nova geração congolesa que terá a Copa como referência.
O Uzbequistão é a verdadeira surpresa asiática de 2026 — uma seleção que cresceu silenciosamente nas sombras das potências do continente (Japão, Coreia do Sul, Austrália) e surpreendeu com uma classificação direta nas Eliminatórias da AFC. A força da equipe está na coletividade — não há uma megaestrela, mas sim um grupo bem organizado e motivado. Eldor Shomurodov, atacante da Roma e depois Cagliari, é o jogador mais conhecido da Liga seleção, mas é o coletivo que faz a diferença. A qualificação foi amplamente comemorada em Tashkent como um marco histórico.
Estilo de jogo: compacto defensivamente, com transições bem organizadas. Usa a intensidade física como vantagem sobre adversários mais técnicos, porém menos atléticos.
O Uzbequistão se classificou diretamente das Eliminatórias Asiáticas com uma campanha consistente: 8 vitórias, 3 empates e 5 derrotas em 16 jogos. Terminou em 3º no seu grupo, garantindo vaga direta. Destacou-se por vitórias sobre seleções de médio porte da AFC, como Líbano, Índia e Quirguistão. Shomurodov foi o artilheiro. A classificação direta, sem precisar de repescagem, mostrou o crescimento da seleção.
Srecko Katanec, 62 anos. O esloveno tem uma das mais extensas carreiras de treinador de seleções no futebol mundial — dirigiu a Eslovênia (copa de 2002), os Emirados Árabes, o Iraque e agora o Uzbequistão. Sua experiência em Copa do Mundo é um diferencial enorme para uma seleção que nunca disputou o torneio. Sabe preparar equipes para o alto impacto psicológico de um Mundial. Valoriza organização tática, disciplina e motivação coletiva.
Pontos Fortes: Coletivo bem treinado e disciplinado; Shomurodov como referência com experiência na Serie A; Katanec é um técnico com experiência real em Copas; elenco unido e sem egos.
Pontos Fracos: Abismo técnico frente a Portugal e Colômbia; maioria dos jogadores atua em ligas de menor nível competitivo; nunca disputaram um Mundial — a estreia sob pressão será o maior teste.
Média de gols marcados (últimas 10 jogos): 1.6 por jogo. Média de gols sofridos: 0.9 por jogo.
- Estreia absoluta: O Uzbequistão nunca disputou uma Copa do Mundo. O impacto psicológico de jogar contra Ronaldo e companhia será algo inédito para todos os jogadores.
- Shomurodov na forma: Após passagens pelo Cagliari e Roma com rendimento irregular, seu nível na Copa é incerto — e ele é o principal gol da equipe.
- Grupo devastador: Portugal e Colômbia combinados são um dos duos mais fortes do Grupo K. A Uzbequistão precisaria vencer ambas as outras partidas e rezar.
- Liga doméstica fraca: A maioria dos jogadores atua no Pakhtakor e outros clubes uzbeques — um nível de competição bem abaixo do que enfrentarão no Mundial.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2026 — América do Norte | 1ª participação | Estreia histórica — a maior conquista do futebol uzbeque desde a independência em 1991 |
| Antes de 2026 | Nunca classificou | Eliminatórias anteriores: sempre ficou fora, perdendo para Japão, Coreia ou Austrália |
Para o Uzbequistão, disputar a Copa do Mundo já é o maior feito do futebol nacional desde a independência do país em 1991. O objetivo real é competir com dignidade, não ser goleado e quem sabe arrancar um resultado positivo contra a RD Congo. Qualquer ponto será celebrado como uma vitória histórica em Tashkent. O legado mais importante é inspirar uma nova geração uzbeque a sonhar com o futebol de alto nível.
