As 4 Seleções do Grupo B
O Canadá vive o maior momento de sua história no futebol. Com jogadores como Alphonso Davies (Bayern München) e Jonathan David — artilheiro histórico da seleção com 39 gols — a “Folha de Bordo” chega a 2026 com uma geração dourada única e jogando em casa. A Copa de 2022 foi o batismo: três derrotas, mas com desempenho acima do esperado e o primeiro gol da história do Canadá num Mundial (Davies, aos 68 segundos ante a Croácia).
Sob Jesse Marsch — técnico americano que levou o time às semifinais históricas da Copa América 2024 — o Canadá evoluiu taticamente, combinando pressão alta no estilo Red Bull com velocidade mortífera nas transições. Jogando em Toronto e Vancouver na fase de grupos, o fator casa pode ser decisivo.
Estilo de jogo: pressing intenso, transições rápidas, forte fisicalidade, Davies e Buchanan com velocidade nas pontas, David como referência no ataque.
Como país-sede, o Canadá não disputou eliminatórias. Nos preparatórios, alcançou o 4º lugar histórico na Copa América 2024, perdendo apenas para a Argentina campeã nas semifinais. Em 2025, foi surpreendentemente eliminado nos pênaltis pelo Guatemala na Copa Ouro — revés que serviu de alerta. Em 2026, empatou com Islândia (2–2) e com a Tunísia (0–0) nos últimos amistosos pré-Copa, mostrando que ainda busca consistência sem Davies.
Jesse Marsch, 52 anos. Americano formado na filosofia Red Bull (Salzburgo, Leipzig). Assumiu o Canadá em 2024 e imediatamente mostrou resultado: levou o time às semifinais da Copa América. Seu futebol é intenso, vertical, com alta pressão — adaptado perfeitamente para aproveitar a velocidade dos jogadores canadenses. Ponto de atenção: a derrota para a Guatemala na Copa Ouro de 2025 levantou dúvidas sobre a profundidade do elenco quando as peças titulares não estão disponíveis.
Pontos Fortes: Velocidade avassaladora com Davies e Buchanan; Jonathan David como finalizador de élite; pressing alto dificulta a saída de bola adversária; torcida em casa em Toronto e Vancouver.
Pontos Fracos: Pouca experiência em Copas (apenas três partidas na história); dependência de Davies na saída e de David no gol; profundidade do banco ainda questionável; sem eliminatórias para calibrar a equipe.
Na Copa América 2024: 4º lugar histórico, venceu Uruguai nas quartas de final e perdeu para a Argentina campeã nas semifinais. Melhor resultado continental da seleção masculina canadense.
- Alphonso Davies e lesões: O craque sofreu ruptura de LCA em 2025 e ficou meses fora. Sua condição física será crucial — sem ele em plena forma, o time perde muito poder ofensivo e defensivo.
- Ausência de eliminatórias: Não disputou eliminatórias por ser sede. A falta de jogos oficiais pode pesar no ritmo competitivo no início do torneio.
- Copa Ouro 2025 como alerta: Eliminado pelo Guatemala nos pênaltis — mostrando que sem os titulares, o time tem limitações sérias.
- Pressão da estreia: Será apenas a terceira vez na história que o Canadá joga uma Copa. A expectativa interna é enorme, e lidar com isso pode ser o maior desafio.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Fase de Grupos | 3 derrotas, mas gol histórico de Davies x Croácia (68 segundos). Primeiro gol canadense em Copas |
| 1986 — México | Fase de Grupos | Única participação anterior. 3 derrotas sem marcar gols — jejum de 36 anos quebrado em 2022 |
O Canadá carrega a marca de nunca ter vencido uma partida de Copa do Mundo (0 vitórias, 0 empates, 6 derrotas em 6 jogos). Em 2026, busca finalmente a primeira vitória — e mais.
O Canadá é o cabeça de chave do Grupo B e parte como favorito para se classificar às oitavas. Jogar em casa, com a energia de Toronto e Vancouver, é um diferencial enorme. A Suíça será o grande rival pela liderança do grupo. O maior objetivo histórico: sair da fase de grupos pela primeira vez.
Até onde pode chegar? Com Davies e David em grande forma, as quartas de final são sonho viável. Uma semifinal seria o maior feito do futebol canadense em todos os tempos.
A Suíça é a seleção mais consistente que quase ninguém lembra de temer — e é exatamente por isso que ela é perigosa. Com 13 participações em Copas e seis consecutivas (desde 2006), os helvéticos chegam a 2026 como uma máquina bem regulada: organização defensiva exemplar, meio-campo liderado pelo capitão Granit Xhaka (143 jogos pela seleção, recorde histórico) e a missão de finalmente superar a barreira das oitavas de final.
Classificada de forma invicta nas eliminatórias europeias, a “Nati” chega em bom ritmo. Xhaka, que floresceu no Bayer Leverkusen e agora atua no Sunderland, continua sendo o cérebro e o coração do time. Com Manuel Akanji na zaga e Gregor Kobel no gol, a base defensiva é sólida.
A Suíça terminou em 1º lugar no Grupo I das eliminatórias europeias, com campanha invicta — 4 vitórias e 2 empates. Destaque para a vitória disciplinada sobre a Romênia (2–0), que demonstrou solidez defensiva. Permaneceu invicta em casa durante todo o processo, confirmando que é um dos times mais profissionais e bem treinados da Europa.
Murat Yakin, 50 anos. Suíço de origem turca, ex-jogador profissional. Comanda a seleção desde 2021 e coleciona campanhas sólidas, incluindo as oitavas de final da Copa 2022 (eliminada pela Portugal de Ronaldo). Seu 4-3-3 com Xhaka como pivô defensivo criativo é a identidade consolidada da equipe. Ponto forte: organização e maturidade. Ponto fraco: certa previsibilidade tática em partidas de alta intensidade.
Pontos Fortes: Solidez defensiva de alto nível; Xhaka como articulador insubstituível; Akanji e Kobel formando uma das melhores duplas zagueiro-goleiro da Europa; equipe extremamente coesa e bem treinada.
Pontos Fracos: Ofensivamente limitada — falta um atacante de nível mundial; histórico de cair nas oitavas em três Copas seguidas; dependência criativa de Xhaka, já com 33 anos.
Campanha nas eliminatórias: 1º lugar no Grupo I com 4V 2E — invicta durante todo o processo. Uma das campanhas mais sólidas da Europa no ciclo.
- A maldição das oitavas: A Suíça caiu nas oitavas em 2018, 2022 e na Euro 2024. Superar essa barreira será o teste definitivo de Yakin.
- Xhaka e a idade: Com 33 anos na Copa, o capitão ainda brilha — mas por quanto tempo? Se ele se machucar ou cair de rendimento, a Suíça perde muito.
- Lesões pré-Copa: Ruben Vargas e Silvan Widmer chegam com histórico recente de lesões, o que preocupa o técnico Yakin.
- Falta o artilheiro: A Suíça cria, organiza, pressiona — mas não tem um finalizador de elite. Amdouni precisa dar o salto de qualidade.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Oitavas | Eliminou a Sérvia em dramático 3–2; perdeu para Portugal por 6–1 |
| 2018 — Rússia | Oitavas | Eliminou pela Suécia. Empate com o Brasil (1–1) e vitória sobre a Sérvia |
| 2014 — Brasil | Oitavas | Eliminada pela Argentina com gol no último minuto da prorrogação |
| 2006 — Alemanha | Oitavas | Não sofreu gols no torneio — eliminada pela Ucrânia nos pênaltis |
A Suíça disputa a liderança do Grupo B com o Canadá. Matematicamente forte para chegar às oitavas com conforto. A grande ambição é finalmente superar essa barreira — o que não acontece desde 1954. O grupo B parece o mais propício da história recente para a “Nati” mostrar que pode ir além.
Os Zmajevi — “Os Dragões” — chegam ao Grupo B como a grande surpresa e a história mais emocionante do processo classificatório. Precisaram passar pela repescagem europeia e, na final, eliminaram a Itália tetracampeã nos pênaltis — feito que sacudiu o futebol mundial. É apenas a segunda Copa da Bósnia como nação independente (a primeira foi em 2014).
A espinha dorsal da equipe é o lendário Edin Džeko, 40 anos, que continua marcando gols pelo Schalke 04. Ao seu redor, uma geração de jogadores espalhados por boas ligas europeias: Sead Kolašinac (Atalanta), Ermedin Demirović (Stuttgart) e o jovem Esmir Bajraktarević (PSV). Sob o comando de Sergej Barbarez — ex-jogador da seleção e multicampeão na Bundesliga — o time tem identidade tática clara e disciplina coletiva.
A Bósnia terminou em 2º lugar no grupo de eliminatórias, atrás da Áustria por dois pontos. Na repescagem europeia (Rota A): eliminou o País de Gales nos pênaltis (1–1 no tempo normal, 4–2 nos pênaltis), com gol heroico de Džeko no segundo tempo. Na final, eliminou a Itália nos pênaltis — o 1-1 foi igualado com gol de Demirović, e a Bósnia converteu todos os seus pênaltis. Um dos classificatórios mais dramáticos da história.
Sergej Barbarez, 54 anos. Ex-jogador profissional que atuou 16 temporadas seguidas na Bundesliga. Assumiu a seleção em 2024, sendo chamado pela torcida pela postura nationalista e liderança que sempre demonstrou. Seu estilo é defensivo, compacto, com transições rápidas explorando Džeko como pivô e Demirović/Bajraktarević nas costas da defesa. É sua primeira grande missão como técnico principal — e já começou eliminando a Itália.
Pontos Fortes: Džeko como pivô e referência; forte jogo aéreo ofensivo e defensivo; organização defensiva compacta; espírito coletivo extremamente forte; pênaltis — converteram 100% na repescagem.
Pontos Fracos: Džeko tem 40 anos — por quanto tempo aguenta no nível da Copa? Plantel com baixo valor de mercado; pouca experiência no mais alto nível; nenhum jogador de Elite nas posições de criação.
Nas eliminatórias: Džeko marcou 6 gols em 9 jogos com 83% de conversão de chances claras — incrível para um jogador de 40 anos.
- Džeko com 40 anos: O ídolo máximo da Bósnia joga no Schalke 04 — clube da segunda divisão alemã. Nível competitivo é uma dúvida legítima contra seleções top.
- Primeira Copa desde 2014: 12 anos de ausência do Mundial trazem inexperiência coletiva para o ambiente da Copa — algo que pode impactar nos momentos decisivos.
- Elenco com valor limitado: Apenas ~120 milhões de euros no total — menor do grupo. A diferença técnica individual pode aparecer contra Canadá e Suíça.
- Dependência de Džeko: Sem o capitão inspirado, o time perde sua principal referência ofensiva e de liderança ao mesmo tempo.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2026 — EUA/Canadá/México | Em disputa | 2ª Copa como nação independente — veio pela repescagem eliminando a Itália |
| 2014 — Brasil | Fase de Grupos | Estreia histórica! Perdeu para Argentina (2–1), venceu Irã (3–1) e perdeu para Nigéria. Džeko foi artilheiro |
A Bósnia se tornou nação independente em 1992, filiou-se à FIFA em 1995 e levou apenas 19 anos para chegar ao seu primeiro Mundial. Em 2026, busca superar a fase de grupos pela primeira vez.
A Bósnia disputa com o Catar a terceira colocação do grupo. Uma vitória contra o Catar e um resultado surpresa contra a Suíça ou o Canadá pode colocar os Dragões entre os oito melhores terceiros — e na fase seguinte. O sonho é chegar às oitavas pela primeira vez. Qualquer vitória no grupo já seria considerada um grande feito.
O Catar chega a 2026 com a difícil tarefa de apagar a memória de 2022 — quando, como anfitrião, se tornou o segundo país sede a cair na fase de grupos sem vencer nenhum jogo. A renovação passou pela contratação do espanhol Julen Lopetegui, que finalmente tem a chance de dirigir uma seleção num Mundial (em 2018 foi demitido pela Espanha na véspera do torneio por assinar com o Real Madrid).
O grande trunfo é o entrosamento: a espinha dorsal vem do Al Sadd e do Al Duhail, clubes onde os jogadores convivem há anos. Akram Afif, artilheiro da Copa Asiática 2023 com hat-trick na final, é o maior talento individual. Mas a qualidade coletiva ainda é inferior às demais seleções do grupo.
O Catar disputou as Eliminatórias Asiáticas e teve campanha oscilante — 10 vitórias, 3 empates e 5 derrotas na fase final (ranking: #51). Classificou-se diretamente, mas o número de derrotas sofridas (incluindo contra o Japão e a Coreia do Sul) evidencia as limitações técnicas frente às melhores seleções asiáticas.
Julen Lopetegui, 59 anos. Espanhol com histórico extenso: campeão da Champions League pelo Real Madrid (2018), passagens por Sevilla, Wolverhampton e West Ham. Foi demitido da seleção espanhola em 2018 na véspera da Copa após assinar com o Real Madrid. Assumiu o Catar como um projeto de longo prazo para elevar o nível do futebol local. Seu 4-2-3-1 tenta trazer organização europeia a um plantel de capacidade limitada — tarefa hercúlea.
Pontos Fortes: Entrosamento excepcional — jogadores convivem há anos nos mesmos clubes; Akram Afif como jogador de qualidade individual real; tático europeu (Lopetegui) tentando elevar o nível.
Pontos Fracos: Nível técnico individual inferior ao restante do grupo; maior parte dos jogadores atua na liga local qatari — nível competitivo questionável; zero vitórias em Copas do Mundo na história.
Campanha nas eliminatórias asiáticas: 10V 3E 5D. Classificou-se mas com muitas dificuldades — nenhuma vitória contra as seleções do Top 30 mundial.
- Zero vitórias em Copas: Em 2022 (como sede), perdeu os três jogos do grupo. Nunca venceu uma partida de Copa do Mundo em sua história.
- Liga local como base: A grande maioria dos titulares atua na Qatar Stars League — uma das ligas menos competitivas dentre as seleções presentes na Copa.
- Lopetegui e a pressão: O técnico espanhol nunca treinou uma seleção num Mundial. A inexperiência nesse ambiente pode cobrar um preço.
- Grupo difícil: Canadá (sede), Suíça (top 17) e Bósnia (com Džeko). O Catar é claramente o azarão — uma vitória seria histórica.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Catar (sede) | Fase de Grupos | Tornou-se o segundo país sede eliminado na fase de grupos (após África do Sul em 2010). Três derrotas, nenhuma vitória |
O Catar se qualificou para seu primeiro Mundial pela Copa Asiática de 2019, tornando-se campeão continental — a maior conquista da história do futebol qatari. Em 2022, a experiência como sede foi decepcionante em campo, apesar do sucesso organizacional.
O Catar é o azarão declarado do Grupo B. Sua melhor esperança é aproveitar o bom entrosamento coletivo e a qualidade individual de Akram Afif para surpreender em um dos jogos — especialmente contra a Bósnia, que seria a final pelo terceiro lugar. Uma vitória em qualquer partida já representaria um marco histórico para o futebol qatari.
