As seleções que mais decepcionaram os apostadores nas últimas Copas — e o que esperar delas em 2026

Perder dinheiro em apostas de Copa do Mundo tem, na maioria das vezes, o mesmo rosto.

Não é o rosto da zebra inesperada — Marrocos eliminando Portugal, Coreia do Sul vencendo Alemanha. Esses resultados surpreendem, mas quem aposta neles já sabe do risco. O rosto que mais aparece nas perdas de apostadores experientes é outro: é o do favorito que entra no torneio com odds baixas, expectativa alta e entrega muito menos do que o mercado precificou.

Bélgica. Alemanha. Brasil. Espanha em determinados momentos. Uruguai. Essas seleções repetiram esse roteiro mais de uma vez nas últimas Copas — e entender por que é a chave para não cair na mesma armadilha em 2026.

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Bélgica: a geração dourada que nunca chegou lá

A Bélgica é o caso mais emblemático de decepção acumulada no futebol de seleções da última década.

Com Hazard, De Bruyne, Lukaku, Courtois e Kompany, a chamada “geração dourada” belga dominou o futebol europeu nos anos 2010. O ranking FIFA chegou ao primeiro lugar. As odds de campeão nunca foram tão baixas para uma seleção que nunca venceu uma Copa.

Em 2018, a Bélgica chegou às semifinais, eliminando o Brasil por 2 a 1 nas quartas. Foi a melhor campanha da geração. Mas em 2022, com o mesmo grupo de jogadores já envelhecido, a Bélgica caiu na fase de grupos — eliminada pelo Marrocos, empatando com a Croácia, perdendo a vaga que parecia garantida. Lukaku perdeu chances claras que definiriam o resultado. O vestiário já havia fragmentado.

O dado que define a decepção belga: em 2022, a Bélgica chegou à Copa como 5ª favorita em várias casas, com odds entre 12,00 e 15,00. Caiu na fase de grupos. Quem apostou na Bélgica para o mata-mata perdeu a aposta logo na primeira fase.

Para 2026, a geração dourada acabou. A Bélgica se classificou para a Copa de 2026, mas com um elenco de transição — De Bruyne ainda presente, mas sem o conjunto de estrelas que definia a seleção. As odds devem ser mais modestas, o que é mais honesto com o momento da seleção. O risco de decepção existe, mas a expectativa também é menor.


Alemanha: duas eliminações na fase de grupos em sequência

Poucas coisas no futebol mundial pareciam tão improváveis quanto a Alemanha sendo eliminada na fase de grupos de uma Copa do Mundo. Aconteceu duas vezes seguidas.

Em 2018, na Rússia, a Alemanha perdeu para o México na estreia, empatou com a Suécia e foi eliminada na última rodada com uma derrota para a Coreia do Sul. Saiu com apenas três pontos, em último lugar no grupo, sem sequer chegar às oitavas. Era a campeã vigente.

Em 2022, no Catar, a história se repetiu. Mesmo vencendo a Costa Rica por 4 a 2 pelo Grupo E, o resultado foi insuficiente para a Alemanha conseguir chegar às oitavas de final da Copa do Mundo do Catar e ficou na terceira posição da tabela no grupo.

Duas eliminações consecutivas na fase de grupos para uma seleção que venceu a Copa em 2014. O mercado, em ambos os casos, precificou a Alemanha como top-4 ou top-8. O resultado foi fase de grupos.

O que explica esse colapso? A renovação geracional mal gerenciada. A Alemanha apostou por tempo demais na mesma base de 2014, que foi envelhecendo sem substitutos de mesmo nível. Löw ficou no cargo depois de 2018 quando deveria ter saído. O ambiente no vestiário se deteriorou.

Para 2026, a Alemanha chega renovada sob Nagelsmann, com Florian Wirtz como principal estrela — um dos talentos mais evidentes da Europa. Mas o histórico recente exige cautela: apostar na Alemanha como top-4 em 2026 requer que o novo grupo demonstre coesão que as últimas versões não tiveram.


Brasil: o jejum que vai completar 24 anos

O Brasil é a seleção com mais títulos mundiais e, ao mesmo tempo, uma das que mais frustra seus torcedores — e apostadores — nas Copas recentes.

O Brasil ficou em 2022 com a pior colocação em Copas do Mundo desde 1990, além de ter visto sua invencibilidade na fase de grupos cair após 24 anos. A eliminação para a Croácia nos pênaltis foi a continuação de um padrão: desde 2002, o Brasil sempre cai antes do esperado, sempre com um episódio que define a narrativa da decepção — o 7 a 1 de 2014, a derrota para a Bélgica em 2018, os pênaltis de 2022.

Com Tite no comando em 2018, a Seleção Brasileira fez uma fase de grupos inconstante, com atuações ruins e resultados apertados. No mata-mata, depois de superar o México, o adversário da vez foi a Bélgica, de Hazard e De Bruyne. Os belgas abriram 2 a 0 e depois seguraram a pressão do Brasil no segundo tempo.

O padrão de decepção brasileira tem uma característica estrutural: o Brasil chega a cada Copa como favorito, com odds que refletem expectativa emocional mais do que probabilidade real. Isso significa que as odds do Brasil frequentemente não têm valor — o mercado já precificou o favoritismo emocional do torcedor brasileiro, não a probabilidade fria.

Para 2026, a chegada de Ancelotti como técnico muda o contexto. Mas o jeito do Brasil decepcionar é sempre diferente — e isso é parte do que torna a análise tão difícil. O novo estilo pode resolver os problemas defensivos e a falta de identidade tática. Ou pode criar novos problemas que a torcida não antecipa.


Espanha: 7 a 0 na estreia, eliminada nos pênaltis logo depois

A Copa de 2022 ofereceu um dos casos mais irônicos de decepção: depois de um 7 a 0 na Costa Rica na estreia, a Espanha pintou como uma das favoritas ao título. O técnico Luis Enrique também ganhou destaque, com uma declaração de que a sua equipe tinha o melhor futebol da Copa. O resultado elástico na primeira rodada, porém, quase esgotou a produção ofensiva espanhola em Doha. Empate com Alemanha, derrota para o Japão e empate e eliminação nos pênaltis para o Marrocos fizeram a imprensa local detonar a campanha.

A Espanha saiu com 7 gols marcados na estreia e eliminada nas oitavas. Para quem havia apostado na Espanha para as quartas ou semifinais, a decepção foi total.

O padrão espanhol de decepção tem uma causa clara: a Espanha se tornou a equipe com mais eliminações em pênaltis na história das Copas, com 4 derrotas. Toda vez que o jogo vai para os pênaltis, a Espanha perde. E o estilo de posse que define a seleção é justamente o que cria jogos mais lentos, com mais chances de empate no tempo regulamentar.

Para 2026, a Espanha chegou mais forte — campeã da Eurocopa 2024 com Lamine Yamal, Nico Williams e Pedri. O estilo ficou mais explosivo. Mas o problema dos pênaltis é estrutural, e se a Espanha encarar um jogo tenso no mata-mata, o histórico volta à tona.


A tabela das decepções recentes

SeleçãoCopaExpectativaResultadoCausa principal
Bélgica2022Top 4Fase de gruposVestiário fragmentado, geração envelhecida
Alemanha2022Top 8Fase de gruposSegunda eliminação precoce consecutiva
Alemanha2018Defesa do títuloFase de gruposRenovação mal gerenciada, complacência
Brasil2022CampeãoQuartas (pênaltis)Falta de identidade tática, pênaltis
Brasil2018Top 4QuartasJogo apagado, Bélgica superior no dia
Espanha2022Top 8Oitavas (pênaltis)Marrocos organizado, histórico em pênaltis
Uruguai2022OitavasFase de gruposGeração envelhecendo, sem substitutos

O padrão que une todas as decepções

Olhando para a lista acima, três fatores aparecem repetidamente como causa das grandes decepções:

Vestiário fragmentado. Bélgica 2022 é o caso mais documentado — os jogadores tinham conflitos internos que apareceram em entrevistas e vazamentos. Copa do Mundo não é contexto de resolver problemas internos: é contexto de expô-los. Seleções com desavenças internas antes do torneio quase sempre entregam menos do que as odds indicam.

Renovação geracional mal cronometrada. Alemanha 2018 e 2022, Uruguai 2022 — todas seleções que foram longe na Copa anterior com uma geração no auge, e voltaram com os mesmos jogadores envelhecidos, sem ter construído a nova base a tempo.

Dependência excessiva de um jogador. Bélgica dependia de Hazard e De Bruyne na melhor forma. Quando um deles não estava bem, o time não tinha plano B. Brasil dependia de Neymar. Espanha às vezes de David Silva ou Iniesta. Times assim são mais vulneráveis do que as odds indicam.


O que evitar em 2026

Com esse histórico em mente, algumas apostas de 2026 merecem mais cautela do que o mercado sugere.

Apostar em campeão ou top-4 do Brasil com odds abaixo de 8,00 pode não ter valor — especialmente considerando que o jejum desde 2002 sugere um padrão estrutural de não conversão em Copa, independentemente do elenco.

Apostar na Bélgica para qualquer fase além das oitavas requer entender que a geração dourada acabou. A Bélgica de 2026 é uma seleção de transição, não a potência de 2018.

Apostar na Espanha para o mata-mata é razoável — mas qualquer aposta que dependa da Espanha passar por uma decisão nos pênaltis precisa levar o histórico em conta. O padrão é de derrota em todas as decisões por pênaltis.

Confira também a Revista sobre os participantes da Copa do Mundo 2026. Um olhar sobre a história, colonização, revoluções e outros detalhes de cada um dos países.

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