A última Copa de Messi: o que esperar da Argentina em 2026?

Lionel Messi foi convocado por Scaloni para a Copa do Mundo de 2026. Mas a confirmação não chegou sem drama — dias antes do anúncio oficial, Messi deixou o campo em um jogo do Inter Miami com o que o clube descreveu como “fadiga muscular” na perna esquerda, gerando dúvidas sobre sua participação.

Scaloni tratou de acalmar os ânimos: as notícias sobre o estado físico do jogador “não eram tão ruins”. A lesão muscular foi descartada. E Messi está na lista dos 26 convocados ao lado de Lautaro Martínez, Álvarez, Dibu Martínez e a mesma base que foi campeã em 2022.

Mas a pergunta que qualquer análise honesta precisa responder não é se Messi vai à Copa. É o que se pode esperar dele com 38 anos — e o que isso significa para as apostas na Argentina.


O Messi de 2026: o mesmo jogador ou uma versão diferente?

Messi não é mais o jogador que foi em 2022 no Catar — quando entregou provavelmente o melhor desempenho individual de qualquer jogador em uma Copa do Mundo desde Ronaldinho em 2002. Sete gols, três assistências, e a carga emocional de um capitão que carregou um torneio inteiro nos ombros.

Em 2026, Messi tem 38 anos durante o torneio. Atualmente no Inter Miami, Messi passou a administrar mais o desgaste físico e escolher melhor os momentos decisivos das partidas. Essa frase resume perfeitamente o que se deve esperar dele no torneio: não um Messi de 90 minutos em todos os jogos, mas um Messi seletivo — que poupa energia nos momentos em que pode e aparece exatamente quando precisa.

Esse perfil tem implicações diretas para apostas. Um Messi que administra o desgaste não vai artilhar o torneio — mas pode ser decisivo nos momentos que mais importam. E é exatamente nos jogos eliminatórios, quando a pressão é máxima e os adversários já estão desgastados, que esse tipo de jogador frequentemente aparece.

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O grupo favorável — e o que vem depois

A Argentina está no Grupo J da competição e fará sua estreia no dia 16 de junho, diante da Argélia, em Kansas. Depois, enfrenta a Áustria no dia 22 de junho, no Texas, antes de fechar a fase de grupos contra a Jordânia, em 27 de junho, também no estado texano.

Argélia, Áustria e Jordânia. É o grupo mais acessível entre todas as grandes potências da Copa de 2026. A Argentina pode passar da fase de grupos sem precisar de Messi em condição física plena — o que é exatamente o cenário ideal para um jogador que administra desgaste.

Mas o mata-mata muda tudo. A partir das oitavas, qualquer adversário da Argentina terá qualidade para explorar as limitações físicas de Messi. E se a Argentina depender de Messi para criar no mesmo nível que dependeu em 2022, o risco de decepção é real.

Vale conferir também o que esperar de Cristiano Ronaldo na Copa do Mundo 2026.


O elenco além de Messi: a Argentina tem time sem ele?

Essa é a questão mais importante para apostas — e frequentemente ignorada pela narrativa emocional da Copa.

Confira os convocados da Argentina: entre os goleiros, Emiliano Martínez, Rulli e Musso. Na defesa, Montiel, Lisandro Martínez, Otamendi, Romero. No meio-campo, Paredes, Rodrigo De Paul, Enzo Fernández, Mac Allister e Lo Celso. Nos atacantes, Lautaro Martínez, Álvarez e Flaco López, do Palmeiras.

Essa lista revela uma Argentina que é mais do que Messi. Enzo Fernández no Chelsea, Mac Allister no Liverpool, Lautaro Martínez no Inter de Milão, Julián Álvarez no Atlético de Madrid, Rodrigo De Paul no Inter Miami. São jogadores de ligas de elite que funcionam dentro de um sistema bem azeitado por Scaloni.

A diferença em relação a 2022 é que o sistema de Scaloni já está internalizado por todos esses jogadores — eles sabem o que fazer sem bola, como sair em transição, quando apoiar e quando recuar. Essa inteligência coletiva existe independentemente de Messi.

Mas Messi ainda é o criador de situações que nenhum outro jogador desse elenco replica. Quando a Argentina precisa de um drible em velocidade, de uma finta que desequilibra a defesa adversária, ou de um passe que encontra espaços que não existiam — é Messi quem faz. Álvarez e Lautaro são excelentes finalizadores. Mas eles dependem de quem cria as situações.


O peso histórico de disputar a sexta Copa

Caso Messi entre em campo, ele se tornará o jogador com mais participações em Copas do Mundo, podendo igualar o recorde de Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa.

Esse dado histórico tem uma implicação que vai além da narrativa: Messi vai querer estar em campo. A questão física — a fadiga muscular que preocupou antes da convocação — é o único risco real. Se Messi chegar fisicamente bem ao torneio, ele vai jogar. E se jogar, vai aparecer nos momentos decisivos. É o que toda a carreira dele documenta.

A Copa de 2022 foi o ápice emocional de Messi em Copa — o título que faltava, conquistado de forma dramática. A Copa de 2026 é diferente: é a última, provavelmente, e o objetivo de Messi não é mais provar algo. É celebrar. Isso muda o contexto emocional — e pode mudar o desempenho. Um jogador que joga para celebrar pode ser mais leve e mais criativo do que um jogador que joga para provar.


O que as odds dizem — e onde há valor

As odds da Argentina para campeã ficam em torno de 9,00 a 9,50 nas principais casas de apostas. Isso coloca a Argentina como terceira ou quarta favorita — atrás de Espanha e França, e próxima do Brasil.

Essa odd tem valor? A resposta honesta é: depende de Messi.

Se Messi chegar fisicamente bem e a Argentina repetir o nível de entrosamento coletivo de 2022 — a probabilidade implícita de 10% a 11% que a odd de 9,00 reflete pode estar subestimando o real potencial. A Argentina é atual campeã, tem um grupo fácil para chegar ao mata-mata em boas condições, e tem o elenco mais experiente em finais de Copa de qualquer seleção do torneio.

Se Messi tiver limitações físicas que o impeçam de jogar em ritmo — e o susto com a “fadiga muscular” antes da convocação não pode ser ignorado —, a Argentina perde o diferencial que a torna especial. Lautaro, Álvarez e Mac Allister são excelentes jogadores, mas não são suficientes para superar França ou Espanha em um mata-mata.


A aposta mais inteligente na Argentina

Em vez de apostar na Argentina para campeã — com odd de 9,00 que tem risco real de dependência de um Messi de 38 anos —, há duas apostas com melhor relação risco/retorno:

Argentina para semifinal. As odds de Argentina para semifinal devem ficar entre 2,20 e 2,50. Com o Grupo J fácil e o sistema de Scaloni funcionando, a probabilidade de chegar às semifinais é alta — independentemente do nível específico de Messi.

Lautaro Martínez como artilheiro. Se Messi administra desgaste e as situações de finalização recaem mais sobre Lautaro — que tem o grupo mais favorável de qualquer centroavante de elite —, as odds de Lautaro como artilheiro (entre 18,00 e 25,00) têm valor implícito que o mercado pode estar subestimando.

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