As 4 Seleções do Grupo I
A França chega à Copa de 2026 como uma das grandes favoritas ao título. Bicampeã mundial (1998 e 2018), a seleção tem em Kylian Mbappé — agora no Real Madrid e no auge da carreira, com 27 anos — o melhor jogador do planeta. Mas Les Bleus são muito mais do que um homem só: Antoine Griezmann ainda contribui com qualidade e experiência, Aurélien Tchouaméni e Eduardo Camavinga formam um dos melhores meios de campo jovens do mundo, e Camille Rowe… perdão, Marcus Thuram impõe presença física no ataque. A geração 2026 é tão boa quanto a de 2018 — talvez melhor.
Estilo de jogo: transições velozes e letais com Mbappé, posse organizada pelo meio, solidez defensiva com Upamecano e Konaté. Capaz de vencer de múltiplas formas.
A França liderou seu grupo nas Eliminatórias Europeias com autoridade: 7 vitórias e 1 empate em 8 jogos. Marcou 22 gols e sofreu apenas 4. Mbappé foi o grande artilheiro, mas o que chamou atenção foi a consistência coletiva — mesmo em jogos considerados “fáceis”, o time manteve organização e intensidade. A classificação foi a mais tranquila entre os grandes europeus.
Didier Deschamps, 56 anos. O técnico mais bem-sucedido da história da França — bicampeão como jogador (1998) e como treinador (2018). Pragmático, valoriza a coletividade acima das estrelas individuais, o que às vezes gera tensões (caso Benzema, caso Kanté). Mas ninguém questiona seus resultados: desde 2012 à frente da seleção, nunca deixou de chegar ao menos às quartas de uma Copa ou Euro. A lenda da gestão de vestiário e a capacidade de colocar todos os egos no mesmo rumo é sua maior virtude.
Pontos Fortes: Mbappé é o mais rápido e letal do mundo; profundidade do elenco sem igual; Maignan como goleiro de elite; bloco defensivo altamente organizado por Deschamps.
Pontos Fracos: Griezmann já passa dos 30 e pode render menos em três jogos seguidos; possível falta de um centroavante clássico (Thuram é diferente de Giroud); pressão psicológica de ser favorita.
Média de gols marcados (últimos 10 jogos): 2.7 por jogo. Média de gols sofridos: 0.6 por jogo.
- Mbappé e lesões: O capitão da França tem histórico de problemas no nariz e em músculos nas fases finais de torneios. Mantê-lo saudável por 7 ou 8 jogos é o maior desafio da comissão técnica.
- Deschamps ficará? O técnico já anunciou que 2026 pode ser seu último torneio à frente da seleção. Uma eventual saída precoce da Copa causaria comoção nacional.
- Griezmann na despedida: Antoine deverá disputar sua última Copa. Se a química com Mbappé não funcionar, o encaixe tático pode ser um problema.
- Euro 2024 — alerta amarelo: A eliminação para a Espanha na semifinal da Euro mostrou que a França pode ser superada com pressão alta e velocidade. Não é invulnerável.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Vice-Campeã 🥈 | Final épica contra a Argentina — perdeu nos pênaltis após 3 a 3 no tempo extra. Mbappé marcou hat-trick |
| 2018 — Rússia | Campeã 🏆 | Título com domínio absoluto — Mbappé, Griezmann e Pogba brilharam |
| 2014 — Brasil | Quartas de Final | Eliminada pela Alemanha por 1–0. Época pós-2010 de reconstrução |
| 1998 — França | Campeã 🏆 | Primeiro título em casa — Zidane com dois gols de cabeça na final |
| 1986 — México | 3º Lugar 🥉 | Geração Platini — terceiro lugar histórico |
Com Mbappé em seu melhor momento de carreira (27 anos), a França não foi apenas favorita ao título em 2022 — foi vice-campeã em uma final inesquecível. Em 2026, com um elenco ainda mais maduro e profundo, Les Bleus são o segundo ou terceiro candidato mais forte ao tricampeonato. O Grupo I — com Senegal, Noruega e Iraque — é passível sem grandes sustos. A grande batalha começa no mata-mata, onde a França sabe performar como poucos.
O Senegal é hoje a principal força do futebol africano. Campeão da Copa Africana de Nações em 2021 e vice em 2022, a seleção chega com um grupo maduro, experiente e com qualidade técnica distribuída pelo elenco. Sadio Mané — mesmo já sem o brilho de 2018–2022 no Liverpool — continua sendo um líder incontestável. Mas o Senegal de 2026 é mais do que Mané: Ismaïla Sarr, Idrissa Gueye, Habib Diallo e Nicolas Jackson formam uma geração completa. O desafio é superar a sombra da eliminação precoce em Qatar 2022 e mostrar que a África pode ir longe num Mundial.
Estilo de jogo: físico, intenso, forte no duelo, com velocidade nas pontas. Aliou Cissé valoriza disciplina coletiva e cobertura intensa.
O Senegal dominou as Eliminatórias Africanas: 7 vitórias, 2 empates e 1 derrota em 10 jogos. Liderou o grupo com folga, com Mané e Habib Diallo como principais artilheiros. A única derrota veio contra a Costa do Marfim num jogo já sem importância na tabela. A campanha reforçou a consistência da seleção como a melhor da África.
Aliou Cissé, 51 anos. Ícone da seleção como jogador (foi capitão em 2002, quando o Senegal chegou às quartas pela primeira vez), Cissé é o técnico mais longevo e bem-sucedido da história senegalesa. Trouxe organização defensiva, identidade tática e coesão ao grupo. Sua gestão de vestiário é exemplar e os jogadores o respeitam profundamente. Ponto de atenção: em Copa do Mundo, ainda não passou das oitavas como técnico.
Pontos Fortes: Koulibaly como defensor de elite; Edouard Mendy experiente no gol; Sarr e Mané na velocidade pelas pontas; Lamine Camara como meia revelação; equipe física e intensa.
Pontos Fracos: Mané já não é o mesmo dos anos de Liverpool; Nicolas Jackson tem oscilações frequentes no Chelsea; no mata-mata contra grandes seleções, o Senegal ainda não se mostrou maduro.
Média de gols marcados (últimos 10 jogos): 1.9 por jogo. Média de gols sofridos: 0.7 por jogo.
- Mané e a Arábia Saudita: Desde que foi ao Al-Nassr, Mané perdeu visibilidade e ritmo competitivo nos jogos de maior nível. Sua forma na Copa é uma incógnita real.
- Jackson — promessa e risco: O atacante do Chelsea é talentoso, mas tem tendência a desperdiçar oportunidades claras em momentos decisivos.
- Koulibaly envelhecendo: Ainda excelente, mas com 35 anos no torneio — seus duelos contra atacantes velozes como Mbappé seriam brutalmente exigentes.
- A herança de 2002: O Senegal ainda carrega o peso de não ter repetido a magia das quartas de 2002. 2026 é uma chance real de ir além.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Oitavas de Final | Eliminado pela Inglaterra (0–3) — decepção após o título da CAN em 2021 |
| 2018 — Rússia | Fase de Grupos | Saiu pelos cartões amarelos — mesmo pontuação que Japão, pior saldo de amarelos |
| 2002 — Japão/Coreia | Quartas de Final 🌟 | Maior campanha da história — eliminou a França campeã na estreia! |
O Senegal tem o segundo melhor elenco do Grupo I, mas está no mesmo grupo que a França — o que significa que uma das duas potências pode ser o 2º colocado. Avançar é objetivo claro. No mata-mata, o Senegal tem capacidade de surpreender seleções de qualquer nível se estiver em dia. As oitavas são garantia — as quartas seriam uma conquista histórica para o futebol africano moderno.
A Noruega retorna à Copa do Mundo após 28 anos de ausência, e o motivo é óbvio: Erling Haaland. O centroavante do Manchester City — possivelmente o melhor atacante do mundo — finalmente colocará sua seleção num Mundial e isso por si só é um evento histórico. Mas a seleção norueguesa é mais do que Haaland: Martin Ødegaard (Arsenal) é um dos melhores meias do futebol europeu, e Alexander Sørloth (Atlético de Madrid) oferece uma alternativa de qualidade no ataque. O maior ponto de interrogação é: a seleção como coletivo consegue ser competitiva contra França e Senegal?
Estilo de jogo: direto, físico e com Haaland como referência total. Ødegaard dá criatividade pelo meio. Controla o jogo quando está à frente no marcador.
A Noruega se classificou após uma campanha sólida nas Eliminatórias Europeias: 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Haaland marcou 10 gols no processo — quase um por jogo. Ødegaard foi decisivo nas vitórias mais difíceis. A classificação veio na última rodada, com uma vitória vital que confirmou a vaga direta. Um percurso com altos e baixos, mas o suficiente para levar a Noruega à sua primeira Copa desde 1998.
Ståle Solbakken, 56 anos. O técnico mais bem-sucedido da história do futebol norueguês — multicampeão pelo Copenhagen — está à frente da seleção desde 2020. Pragmático e experiente, construiu o time ao redor de Haaland e Ødegaard, mas sabe que precisa de organização coletiva para competir no Grupo I. Ponto forte: relacionamento com os jogadores e estratégias defensivas sólidas. Ponto de atenção: pouquíssima experiência em Copas do Mundo.
Pontos Fortes: Haaland é o melhor finalizador do mundo — um gol por jogo no City; Ødegaard com visão e criatividade de elite; Nusa jovem e imprevisível; group dynamics coeso.
Pontos Fracos: Dependência extrema de Haaland — se ele for marcado de perto ou se machucar, o time perde; defesa não testada em alto nível; Grupo I com França e Senegal é brutal.
Média de gols marcados (últimos 10 jogos): 2.0 por jogo. Média de gols sofridos: 1.0 por jogo.
- Haaland nunca jogou uma Copa: É sua estreia em um Mundial. A pressão será imensa — e ele estará sob marcação dupla em todos os jogos.
- Ødegaard e o Arsenal: O capitão tem histórico de lesões musculares, especialmente no início de temporada. Chegar ao torneio em plena forma é essencial.
- Defesa inexperiente em alto nível: Østigård e companhia nunca foram testados contra atacantes do nível de Mbappé ou Mané.
- 28 anos de ausência: A Noruega não joga uma Copa desde 1998. Essa inexperiência coletiva pode pesar nos jogos de maior tensão.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 1998 — França | Oitavas de Final | Melhor Copa — eliminou o Brasil na fase de grupos! (2–1). Eliminada pela Itália nas oitavas |
| 1994 — EUA | Fase de Grupos | Um ponto — empate com o México. Estreia digna mas sem continuidade |
| 1938 — França | 1ª Rodada | Derrota para a Itália campeã por 2–1 na prorrogação |
A Noruega está no grupo mais difícil que poderia pegar — ao lado da França e do Senegal. Avançar exigirá que Haaland seja decisivo e que a defesa aguentar o nível. O cenário ideal é a Noruega bater o Iraque e roubar pontos de Senegal ou França, chegando ao 2º lugar com sorte e eficiência. Um feito que seria amplamente celebrado no país escandinavo. Se Haaland marcar nesta Copa, já terá entrado para a história.
O Iraque retorna à Copa do Mundo após 40 anos de ausência — e sua trajetória é uma das mais emocionantes de todo o processo classificatório. A seleção se classificou pela repescagem intercontinental, derrotando a Bolívia em dois confrontos decisivos. Em campo, o “Team Mesopotamia” joga com identidade e entusiasmo, liderado pelo artilheiro Aymen Hussein e por um grupo que rivaliza com os melhores da Ásia. O contexto extrafutebolístico é historicamente turbulento — décadas de guerras e instabilidade —, tornando essa classificação ainda mais simbólica para o povo iraquiano.
Estilo de jogo: organização defensiva compacta, transições rápidas. Aposta no comprometimento coletivo e na motivação histórica.
O Iraque não se classificou diretamente — foi pela repescagem intercontinental. Nas Eliminatórias Asiáticas, ficou em 3º no seu grupo, garantindo vaga na repescagem. Depois, enfrentou a Bolívia em dois jogos e se classificou. A vitória foi comemorada como uma conquista nacional. Aymen Hussein foi o grande nome do processo classificatório.
Jesús Casas, 52 anos. Técnico espanhol com experiência na Ásia, assumiu o Iraque em 2023. Trouxe organização tática europeia para um grupo com características asiáticas. Pragmático, valoriza disciplina e compactação defensiva. Sua maior conquista foi justamente a classificação histórica para o Mundial — algo que nenhum técnico do Iraque havia conseguido nos últimos 40 anos. O desafio agora é fazer o time competitivo contra França, Senegal e Noruega.
Pontos Fortes: Motivação histórica sem precedente; Aymen Hussein como artilheiro eficiente; grupo coeso e bem organizado taticamente por Casas; nada a perder — cada ponto será festejado.
Pontos Fracos: Elenco quase inteiro em ligas asiáticas de nível médio; abismo técnico contra França, Senegal e Noruega é enorme; falta de experiência internacional de alto nível; nunca venceu um jogo de Copa do Mundo.
Média de gols marcados (últimos 10 jogos): 1.3 por jogo. Média de gols sofridos: 0.9 por jogo.
- 40 anos de ausência: O Iraque não joga uma Copa desde 1986 — e perdeu os três jogos naquela ocasião. Construir mentalidade vencedora em contexto de Copa é um desafio sem referência histórica para o grupo.
- Elenco quase todo asiático: Diferente de Irã e Japão, o Iraque não tem muitos jogadores nas ligas europeias de ponta — o que limita a exposição a jogos de alto nível.
- Grupo brutal: França e Senegal são duas das seleções mais fortes do mundo. Uma vitória no Grupo I seria um feito monumental.
- Estabilidade fora de campo: O Iraque tem histórico de instabilidade política que impacta diretamente o futebol — verba, infraestrutura e preparação podem ser afetadas.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2026 — América do Norte | 2ª participação | Volta histórica após 40 anos — via repescagem intercontinental |
| 1986 — México | Fase de Grupos | Única Copa anterior — derrotas para Paraguai, Bélgica e México. Sem pontos |
Para o Iraque, estar na Copa do Mundo JÁ é a maior conquista esportiva do país em 40 anos. Matematicamente, avançar da fase de grupos exigiria resultados improváveis — especialmente contra a França. O objetivo real é competir com dignidade, marcar ao menos um gol, e mostrar ao mundo que o futebol iraquiano é uma força emergente na Ásia. Qualquer ponto conquistado será celebrado como vitória histórica em Bagdá.
