As 4 Seleções do Grupo D
Os Estados Unidos chegam a 2026 com uma responsabilidade histórica: são o maior anfitrião do torneio, recebendo a maioria dos jogos, incluindo a final. O investimento na preparação foi massivo — a contratação de Mauricio Pochettino custou caro e gerou expectativas enormes. O país nunca ganhou uma Copa do Mundo e raramente chegou ao mata-mata recente, mas a combinação de talentos europeus (Pulisic no Milan, McKennie na Juventus, Adams no Bournemouth) com o apoio da torcida cria a expectativa mais alta da história.
O caminho, porém, não tem sido linear. O USMNT foi eliminado na fase de grupos da Copa América 2024, perdeu a Liga das Nações para o Panamá e a Copa Ouro para o México. A chegada de Pochettino estabilizou o grupo — uma vitória histórica por 5–1 sobre o Uruguai foi o pico do ciclo. Mas derrotas recentes para Bélgica (5–2) e Portugal levantaram dúvidas sobre a consistência defensiva.
Estilo de jogo: Pochettino tenta imprimir pressing alto com transições rápidas — o modelo Red Bull adaptado a um plantel com muito talento individual mas pouca identidade coletiva consolidada.
Como país-sede, os EUA não disputaram eliminatórias. Nos preparatórios: vitória expressiva de 5–1 sobre o Uruguai (destaque positivo), mas seguida de derrotas para Bélgica (5–2) e Portugal. Nos torneios continentais, eliminação decepcionante na Copa América 2024 (fase de grupos) e derrota para o México na final da Copa Ouro. Resultados mistos que deixam o ambiente em estado de expectativa e ansiedade.
Mauricio Pochettino, 54 anos. Argentino de Murphey, formado defensivamente — foi jogador da seleção argentina. Carreira como técnico notável: Tottenham (final de Champions 2019), PSG, Chelsea. Assumiu o USMNT em setembro de 2024 com missão de transformar o futebol americano. Seu pressing alto e mentalidade agressiva combinam com os atributos físicos dos americanos. Ponto de pressão: o USMNT jamais passou de uma oitava de final desde 2002, e Pochettino prometeu ir além.
Pontos Fortes: Atletas extraordinários físicamente; Pulisic como referência técnica e de liderança; McKennie em grande forma na Juve; Adams como destruidor de classe mundial; apoio da torcida em casa pode ser transformador.
Pontos Fracos: Fragilidade defensiva nos grandes jogos (5–2 para Bélgica); inconsistência entre partidas; falta de identidade tática consolidada sob Pochettino; histórico recente de frustrações em torneios (eliminação na fase de grupos da Copa América 2024).
Muito irregular: bate o Uruguai por 5–1 e depois leva 5–2 da Bélgica. O USMNT de Pochettino ainda não encontrou consistência defensiva nos grandes desafios.
- Tyler Adams e lesões: O capitão e coração do meio-campo viveu anos marcados por contusões. Se não estiver disponível, os EUA perdem seu melhor destruidor — sem substituto de igual qualidade.
- Pulisic sem ritmo: Sem gols por clube ou seleção no início de 2026, Pulisic chegou longe de sua melhor forma. Há pouco mais de dois meses para recuperar o brilho da temporada passada.
- Giovanni Reyna — a questão: Talento enorme, mas pouco tempo de jogo no Borussia Mönchengladbach. Pochettino o inclui na lista mas a consistência é dúvida.
- Pressão da sede: Em 1994, os EUA chegaram às oitavas como sede. Em 2026, a expectativa é de ir além — quartas de final seria o mínimo aceitável para o público americano.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Oitavas | Eliminou o Irã na fase de grupos; perdeu para a Holanda (3–1) nas oitavas |
| 2014 — Brasil | Oitavas | Avançou em grupo com Portugal, Gana e Alemanha; caiu para Bélgica (1–2) |
| 2002 — Japão/Coreia | Quartas de Final | Melhor resultado moderno. Eliminou Portugal e México; caiu para Alemanha |
| 1994 — EUA (sede) | Oitavas | Como sede, avançou da fase de grupos e perdeu para o Brasil nas oitavas |
Os EUA são os favoritos do Grupo D, mas com ressalvas. O grupo — com Paraguai, Austrália e Turquia — é equilibrado e nenhuma vitória é garantida. Se Pochettino resolver a fragilidade defensiva e Pulisic voltar ao seu melhor nível, os americanos têm capacidade técnica para chegar às quartas ou semifinais. Qualquer coisa aquém das oitavas seria considerada um fracasso histórico.
O Paraguai chega a 2026 com a missão de provar que a classificação não foi sorte. A equipe viveu uma das maiores transformações de um ciclo eliminatório sul-americano: caiu nos três jogos da Copa América 2024, Daniel Garnero foi demitido, e Gustavo Alfaro assumiu e fez maravilhas. Sob o argentino, a Albirroja alcançou uma sequência de 10 jogos sem perder — que incluiu vitórias sobre Brasil, Argentina e Uruguai.
A força do Paraguai é claramente defensiva. Gustavo Gómez (Palmeiras) lidera uma das defesas mais sólidas da CONMEBOL. No ataque, Ramón Sosa traz velocidade e drible, mas falta um artilheiro de nível mundial. A classificação veio com um empate de 0–0 frente ao Equador — sem beleza, mas com eficiência. O time de Alfaro não é bonito, mas é difícil de bater.
Após cair nos 3 jogos da Copa América 2024, o Paraguai virou o jogo sob Alfaro com 10 jogos invictos nas eliminatórias, incluindo vitórias históricas sobre Brasil (em casa), Argentina e Uruguai. A classificação veio no empate 0–0 com o Equador em setembro de 2025 — primeira Copa desde 2010. Campanha geral nas eliminatórias: sólida defensivamente, com Gustavo Gómez como pilar.
Gustavo Alfaro, 62 anos. Argentino experiente que assumiu o Paraguai depois da Copa América 2024. Ex-técnico de Ecuador (Copa 2022) e Boca Juniors. Transformou a seleção em menos de um ano — sua principal virtude é a organização defensiva e a gestão de grupo. Identificou a ausência de um “organizador de jogo” no elenco e rapidamente convocou o naturalizado Maurício (Palmeiras) para suprir a lacuna. Pragmático, competitivo, eficiente.
Pontos Fortes: Defesa de ferro liderada por Gómez e Alonso; difícil de bater — zero gols sofridos em vários jogos decisivos das eliminatórias; Alfaro como um dos melhores técnicos sul-americanos para pressão de eliminatórias; espírito coletivo muito forte.
Pontos Fracos: Sem artilheiro de nível mundial — Sanabria e Enciso são bons, mas não decisivos; falta de criatividade no meio (o próprio Alfaro reconheceu ao convocar Maurício); pouca experiência de Copa (última foi em 2010).
Sob Alfaro: 10 jogos sem perder nas eliminatórias — o maior trunfo do ciclo e a prova de que a transformação foi real. A defesa paraguaia é uma das mais sólidas da América do Sul.
- Falta de artilheiro: O maior ponto de atenção. Sanabria e Enciso são peças, mas nenhum é referência mundial. Alfaro sabia disso ao convocar Maurício como organizador.
- 16 anos sem Copa: A última participação foi em 2010. Muitos jogadores do grupo atual nunca vivenciaram um Mundial — a falta de experiência pode pesar em momentos de alta pressão.
- Miguel Almirón em declínio: O veterano meia, ídolo de uma geração, já não tem o mesmo nível de quando brilhava no Newcastle. Sua participação como titular é questionável.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2010 — África do Sul | Quartas de Final | Melhor campanha histórica. Eliminou o Japão nas oitavas; perdeu para Espanha campeã nas quartas |
| 2006 — Alemanha | Fase de Grupos | Eliminou em grupo com Inglaterra, Suécia e Trinidad e Tobago — caiu por saldo de gols |
| 2002 — Japão/Coreia | Oitavas | Eliminou a Eslovênia; perdeu para a Alemanha nas oitavas |
O Paraguai não é favorito em nenhum dos três jogos do grupo, mas sob Alfaro, essa seleção aprendeu a não ser batida. Uma vitória sobre a Austrália e um empate contra os EUA seria um resultado mais que satisfatório para avançar. O Grupo D está entre os mais equilibrados do torneio — qualquer um dos quatro pode passar.
Os Socceroos chegam a 2026 com confiança renovada após Tony Popovic assumir o comando em 2024 e salvar a classificação direta — algo que não acontecia desde 2014. A Austrália é um time sem grandes estrelas individuais, mas com uma identidade coletiva clara: compacta defensivamente, difícil de bater, e capaz de surpreender em jogos equilibrados.
O maior feito recente foi a classificação direta pela AFC, com vitórias marcantes sobre o Japão (1ª desde 2009) e a Arábia Saudita. Nos amistosos do FIFA Series 2026, os australianos venceram Camarões (1–0) e golearam Curaçao (5–1) — entrando em ritmo para o Mundial. Mathew Ryan, veterano de 3 Copas, é o grande líder do grupo dentro e fora de campo.
Nas Eliminatórias Asiáticas, a Austrália terminou em 2º lugar no seu grupo atrás do Japão, com vitória decisiva sobre a Arábia Saudita (2–1, virada dramática em junho de 2025) que garantiu a vaga direta — a primeira classificação direta desde 2014. Popovic transformou um time à beira do fracasso em uma equipe competitiva em menos de um ano.
Tony Popovic, 51 anos. Australiano — ex-zagueiro dos Socceroos por mais de 50 jogos, incluindo a Copa de 2006 onde enfrentou o Brasil. Como técnico, passou pelo futebol australiano, chinês e grego. Assumiu em 2024 em uma das situações mais difíceis da história recente do USMNT, com a classificação direta em risco. Seu estilo é defensivo-organizado, com o 4-2-3-1 como formação base, priorizando a resiliência e as transições. 10 jogos sem perder em seu primeiro ciclo.
Pontos Fortes: Organização defensiva sob Popovic; Mathew Ryan como um dos goleiros mais experientes do grupo; capacidade de segurar resultado e sair em contra-ataque; coletivo muito bem entrosado.
Pontos Fracos: Sem grande estrela individual no ataque; Irvine com histórico de lesões (cirurgia no pé em 2025); dificuldade de criar quando o adversário fecha o espaço.
Classificação direta — 1ª desde 2014. 6ª Copa consecutiva. Popovic: 10 jogos sem perder no início do ciclo antes de uma sequência negativa. Voltou a vencer nos últimos testes preparatórios.
- Irvine e as lesões: O capitão fez cirurgia no pé em abril de 2025 e ainda enfrenta problemas. Sem ele, a Austrália perde seu líder emocional e tático.
- Falta de artilheiro confiável: Mitchell Duke, Martin Boyle e Mohamed Toure são opções — mas nenhum inspira confiança de nível Copa do Mundo contra defesas européias ou sul-americanas.
- Distância geográfica: Jogar na América do Norte, longe da Oceania e Ásia, é um desafio logístico. A aclimatização ao calor de Los Angeles pode ser um fator.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2022 — Qatar | Oitavas | Eliminou a Dinamarca; caiu para Argentina (2–1) nas oitavas em grande jogo |
| 2006 — Alemanha | Oitavas | Primeira grande Copa. Eliminou o Japão na fase de grupos; perdeu para Itália campeã nas oitavas |
| 2014 — Brasil | Fase de Grupos | Classificou-se via repescagem; perdeu os 3 jogos |
A Austrália está entre os três melhores do Grupo D e tem chances reais de avançar às oitavas. O cenário mais realista é terminar em 2º ou 3º (como melhor terceiro), dependendo dos resultados entre EUA e Turquia. Uma vitória sobre o Paraguai seria fundamental. Chegar novamente às oitavas — como em 2006 e 2022 — seria confirmar um padrão que Popovic quer manter.
A Turquia retorna a uma Copa do Mundo após 24 anos — desde a campanha histórica de 3º lugar em 2002, no Japão e Coreia. E que retorno: chega com uma das gerações mais promissoras de sua história, liderada por dois talentos que já brilham nos maiores clubes da Europa — Arda Güler (Real Madrid) e Kenan Yıldız (Juventus). Ambos têm menos de 22 anos e são considerados duas das maiores promessas do futebol mundial.
O capitão Hakan Çalhanoğlu, da Inter de Milão, completa o trio ofensivo de elite com experiência e técnica. A seleção foi construída sob o italiano Vincenzo Montella com um 4-2-3-1 pragmático — terminou o Grupo E das eliminatórias atrás apenas da Espanha e depois superou Romênia e Kosovo na repescagem. A Turquia é o adversário mais perigoso do Grupo D para os EUA.
Nas Eliminatórias Europeias, terminou em 2º no Grupo E (atrás da Espanha), com campanha sólida que incluiu um empate dramático de 2–2 na Espanha. Levou um 6–0 em casa dos espanhóis — a maior derrota do ciclo — mas se recuperou bem. Na repescagem (Rota C): venceu a Romênia por 1–0 e depois o Kosovo por 1–0 na final — classificando-se com dois jogos decididos por gol único. Arda Güler e Ferdi Kadıoğlu foram os destaques.
Vincenzo Montella, 51 anos. Italiano experiente — ex-atacante da Roma e da Fiorentina. Como técnico, passou por AC Milan, Fiorentina, Sevilha e Sampdoria. Assumiu a Turquia em 2023 e levou o time às semifinais da Euro 2024 (eliminado pela Holanda). Seu 4-2-3-1 coloca Güler como meia-atacante livre para criar — funcionando muito bem. Pragmático nas eliminatórias, mas capaz de futebol ofensivo quando o plantel permite.
Pontos Fortes: Güler e Yıldız como dois dos mais talentosos jogadores jovens do mundo; Çalhanoğlu como líder técnico de elite; capacidade de decidir jogos individualmente; atacou em 6 dos 7 últimos jogos das eliminatórias.
Pontos Fracos: Fragilidade defensiva — sofreu gols em 5 dos últimos 7 jogos das eliminatórias; dependência do bom desempenho de Güler e Çalhanoğlu; lesões de Çelik e Demiral antes do Mundial são pontos de atenção; jovens sob pressão em estreia numa Copa.
Classificação via repescagem europeia — duas vitórias por 1–0 em jogos de mata-mata. Marcou em 6 dos últimos 7 jogos oficiais. Mas sofreu gols em 5 dos mesmos 7.
- Fragilidade defensiva: Em 5 dos últimos 7 jogos das eliminatórias, a Turquia sofreu gol. Contra ataques de qualidade como o dos EUA e Paraguai, isso é preocupante.
- Lesões de Çelik e Demiral: O lateral Zeki Çelik e o zagueiro Merih Demiral chegam com histórico de lesões pré-Copa. Se um dos dois não estiver disponível, a defesa fica mais vulnerável.
- Çalhanoğlu e a condição física: O capitão saiu com dores na panturrilha no jogo contra a Romênia — sua disponibilidade para o início da Copa é monitorada com atenção.
- Pressão geracional: Güler e Yıldız têm respectivamente 21 e 20 anos — será a 1ª Copa de ambos. A pressão sobre eles será enorme, e o ambiente de um Mundial pode ser avassalador.
| Edição | Fase | Destaque |
|---|---|---|
| 2026 — EUA/Canadá/México | Em disputa | Retorno após 24 anos. Via repescagem europeia (Rota C) |
| 2002 — Japão/Coreia | 3º Lugar 🏅 | Melhor campanha histórica. Eliminou Japão, Senegal e Coreia. Hakan Şükür marcou o gol mais rápido da história (11 segundos) |
| 1954 — Suíça | Fase de Grupos | Estreia histórica. Perdeu por 7–0 para a Alemanha Ocidental |
A Turquia tem apenas 3 participações em Copas do Mundo — mas a de 2002 foi uma das mais espetaculares da história do torneio. O gol de Hakan Şükür contra a Coreia do Sul (11 segundos) ainda é o mais rápido da história das Copas.
A Turquia é a grande incógnita do Grupo D. Com o talento de Güler e Yıldız, o time tem capacidade de bater qualquer adversário do grupo. O cenário mais otimista — Çalhanoğlu em forma e defesa sólida — aponta para uma disputa pela 1ª ou 2ª posição com os EUA. Uma Turquia inspirada pode chegar às quartas de final. Uma Turquia inconsistente pode cair na fase de grupos.
