Existe um mercado de apostas que a maioria dos sites ignora quase completamente — e, por isso mesmo, oferece algumas das melhores oportunidades de uma Copa do Mundo.
O mercado de “ambas marcam” (ou BTTS, do inglês both teams to score) é simples: você aposta que as duas seleções vão balançar as redes, independentemente do resultado final. Um 2 a 1 ou um 3 a 2 contam da mesma forma. O que importa é que nenhum goleiro termine o jogo com o zero no placar.
Parece simples. Mas identificar quais seleções mais frequentemente participam de jogos com BTTS — seja marcando ou sofrendo gols — é uma análise que requer dados históricos reais. E é exatamente o que esse artigo faz.
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A lógica por trás do BTTS em Copas do Mundo
Antes de entrar nos perfis por seleção, vale entender por que o BTTS se comporta de forma diferente em Copa do Mundo em relação a ligas de clubes.
Em ligas domésticas, os times jogam muitas vezes entre si durante uma temporada. Os padrões se estabilizam. O Atlético de Madrid de Diego Simeone era famoso por não sofrer gols — e os dados de BTTS refletiam isso de forma consistente.
Em Copa do Mundo, o contexto é diferente. As seleções jogam poucos jogos contra adversários variados, o nível técnico entre os times é mais heterogêneo do que em ligas, e a pressão do torneio cria comportamentos táticos que não aparecem em amistosos ou eliminatórias.
Além disso, a motivação é diferente. Uma seleção que já está classificada na terceira rodada pode relaxar e jogar mais aberta. Outra que precisa de vitória a qualquer custo vai para o tudo ou nada. Ambos os cenários favorecem o BTTS.
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As seleções com mais tendência histórica ao BTTS
Alemanha: o caso mais emblemático
A Alemanha é, historicamente, a seleção que mais frequentemente termina jogos com ambas as equipes marcando. O motivo é estrutural: a Alemanha é uma seleção que pressiona alto e ataca com muitos jogadores, mas isso cria espaços na defesa para o contra-ataque.
Na Copa de 2018, a Alemanha foi eliminada ainda na fase de grupos — e os jogos foram marcados por ambas as seleções marcando. A derrota para o México por 1 a 0, onde a Alemanha não marcou, foi uma exceção frustrante. Mas o empate com a Espanha nas eliminatórias e outros jogos recentes mostram o padrão: a Alemanha raramente para o adversário de marcar completamente.
Em 2022, a Alemanha não estava presente — mas o padrão do elenco se manteve em outros torneios. O time de Musiala e Havertz para 2026 tem um perfil ainda mais ofensivo, o que sugere que o padrão de BTTS deve se manter.
França: defesa de elite, mas ataque que exige resposta
A França é um caso mais sutil. O goleiro Lloris (hoje aposentado) e agora Maignan constroem uma das defesas mais sólidas do futebol internacional. Em tese, isso reduz o BTTS.
Mas existe uma dinâmica específica que favorece o BTTS nos jogos da França: quando a seleção abre vantagem cedo, muitas vezes diminui o ritmo e permite que o adversário crie mais. Em 2022, a França venceu a Austrália por 4 a 1 — BTTS confirmado. Depois perdeu para a Tunísia por 0 a 1 em uma partida onde já estava classificada, o que gerou discussão sobre motivação.
O padrão da França aponta para jogos com BTTS principalmente contra adversários de nível médio, onde há equilíbrio defensivo suficiente para o adversário criar uma chance, mas capacidade ofensiva para marcar dois ou mais.
Inglaterra: o país do BTTS nas eliminatórias, mas cauteloso em Copa
A Inglaterra nas eliminatórias europeias de 2026 venceu todos os jogos sem sofrer gols — um dado que parece contradizer qualquer tendência ao BTTS. Mas eliminatórias têm adversários muito mais fracos do que a Copa.
O histórico da Inglaterra em Copas é diferente. O estilo físico e de pressão alta que a Premier League exporta para a seleção cria jogos de alto ritmo, onde os dois lados criam oportunidades. A semifinal da Copa 2018, onde a Inglaterra perdeu para a Croácia após abrir o placar — BTTS confirmado — é um bom exemplo de como os jogos ingleses tendem a se desenvolver em alta intensidade.
Argentina: o perfil mais inconsistente
A Argentina é a seleção mais difícil de enquadrar no padrão de BTTS. Scaloni montou uma das defesas mais organizadas do mundo — Di María, De Paul e Enzo Fernández são eficientes na pressão — mas o ataque depende muito de Messi para criar oportunidades claras.
Em 2022, a Argentina sofreu um gol logo na estreia contra a Arábia Saudita, perdendo por 2 a 1 — BTTS. Mas depois a defesa se organizou e a seleção passou a conceder muito pouco. O perfil da Argentina não é de BTTS consistente. É de jogos que podem terminar 1 a 0 ou 2 a 0, com o adversário sendo neutralizado defensivamente.
Para 2026, com Messi mais perto dos 38 anos, a tendência é de um futebol ainda mais pragmático — o que reduz ainda mais a probabilidade de BTTS nos jogos argentinos.
Brasil: ataque poderoso, mas defesa que preocupa
O Brasil para 2026 tem uma característica interessante para o mercado de BTTS: o ataque com Vinicius Jr, Rodrygo e Raphinha é um dos mais explosivos do mundo, mas a defesa tem mostrado vulnerabilidades nas Eliminatórias, onde a seleção oscilou defensivamente ao longo do ciclo.
Isso cria um contexto específico: o Brasil marca com facilidade, mas pode sofrer gols mesmo quando é amplamente favorito. Nos jogos contra seleções de nível médio — como Marrocos — o BTTS tem mais argumentos do que as odds geralmente sugerem.
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A tabela de perfil BTTS por seleção
| Seleção | Tendência de BTTS | Perfil | Contexto para 2026 |
|---|---|---|---|
| Alemanha | Alta | Ataque agressivo + defesa exposta | Musiala e Havertz elevam o potencial ofensivo |
| Inglaterra | Média-alta | Alta intensidade, cria espaços | Eliminatórias perfeitas, mas Copa é diferente |
| França | Média | Sólida mas abre no 2T | Depende do adversário e do placar |
| Brasil | Média | Ataque forte, defesa irregular | Vulnerabilidade defensiva pode favorecer BTTS |
| Espanha | Baixa-média | Controla o jogo, cede pouco | Over 1,5 é mais seguro que BTTS |
| Argentina | Baixa | Defesa organizada, ataque eficiente | Perfil de vitória por 1 gol, não de troca de gols |
| Marrocos | Baixa | Defesa sólida como base do jogo | Perfil oposto ao BTTS |
| Uruguai | Média | Físico, cria chances dos dois lados | Jogos tensos com gols dos dois lados |
Os grupos com mais potencial de BTTS na fase de grupos 2026
Com os grupos definidos, é possível identificar onde o BTTS tem mais argumentos como mercado.
Grupo I — França, Senegal, Noruega e uma quarta seleção — é o grupo com mais potencial de BTTS em jogos entre seleções de alto nível. França contra Senegal e França contra Noruega são confrontos onde as duas seleções têm poder ofensivo real e nenhuma delas adota um estilo puramente defensivo.
Grupo L — Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá — é outro grupo interessante. Croácia e Inglaterra têm histórico de jogos de alta intensidade com gols dos dois lados. O jogo entre as duas no Grupo L tem perfil claro de BTTS.
Por outro lado, Grupo C — Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia — tem perfil baixo de BTTS nos jogos do Brasil. Brasil contra Haiti é um candidato natural ao BTTS não acontecer: a diferença técnica sugere que o Brasil vai marcar e o Haiti terá poucas chances de responder.
O que mais favorece o BTTS que ninguém menciona
Existe uma variável que influencia o BTTS em Copa do Mundo mais do que a maioria das análises reconhece: a terceira rodada da fase de grupos.
Quando os resultados das primeiras duas rodadas já definiram quem está classificado e quem está eliminado, os jogos da terceira rodada frequentemente têm contextos motivacionais misturados. Uma seleção já classificada pode poupar titulares. O adversário, precisando de vitória, joga aberto.
Esse cenário cria jogos onde ambas as equipes tendem a marcar — uma porque está pressionada, a outra porque tem espaço com o adversário avançado. Historicamente, a terceira rodada da fase de grupos tem a maior taxa de BTTS de toda a Copa.
Isso é relevante para quem planeja apostar em BTTS durante o torneio — não apenas antes dele começa, mas com acompanhamento da classificação em tempo real.
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