O Flamengo anunciou oficialmente o encerramento de sua participação na modalidade canoagem, agradecendo a trajetória de Isaquias Queiroz, um dos maiores atletas da história do esporte olímpico brasileiro. Campeão olímpico e dono de cinco medalhas em Jogos Olímpicos, Isaquias encerra um ciclo de cerca de sete anos vestindo o Manto Sagrado, deixando um legado esportivo incontestável.
A decisão, comunicada como parte de uma “avaliação estratégica”, também inclui o fim da atuação do clube no pararemo, atingindo diretamente atletas do esporte paralímpico que representavam o Flamengo em competições nacionais e internacionais.
O legado esportivo de Isaquias Queiroz no Flamengo
Isaquias Queiroz não é apenas um atleta de elite: ele é um símbolo do esporte olímpico brasileiro. Ao longo de sua passagem pelo Flamengo, o canoísta manteve o clube em evidência em uma modalidade historicamente distante do futebol, ampliando a presença rubro-negra no cenário olímpico.
O próprio clube reconhece o peso dessa trajetória, citando as conquistas e o orgulho de ter contado com Isaquias, além de atletas como Gabriel Assunção, Mateus dos Santos e Valdenice do Nascimento. Ainda assim, o encerramento da modalidade expõe uma contradição entre o discurso de grandeza esportiva e a prática administrativa.
A justificativa oficial e suas limitações
Segundo o Flamengo, a decisão está ligada à dificuldade de estruturar um trabalho de base, já que os principais atletas não residem nem treinam no Rio de Janeiro. Esse argumento, embora prático do ponto de vista logístico, revela uma visão restrita sobre o papel de um clube poliesportivo do porte do Flamengo.
Em vez de investir em modelos descentralizados, parcerias regionais ou centros de treinamento fora do eixo tradicional, o clube opta por simplesmente encerrar a modalidade. Na prática, isso transfere para os atletas o ônus estrutural que deveria ser enfrentado por uma instituição com enorme capacidade financeira e influência política no esporte brasileiro.
O fechamento de modalidades olímpicas como política recorrente
O encerramento da canoagem não é um caso isolado. Nos últimos anos, o Flamengo tem adotado uma postura cada vez mais seletiva em relação às modalidades olímpicas, priorizando aquelas com maior visibilidade ou retorno institucional imediato.
Esse movimento enfraquece o conceito de clube poliesportivo e contrasta com a própria história rubro-negra, que sempre se orgulhou de sua atuação ampla no esporte nacional. Ao reduzir sua presença em modalidades menos midiáticas, o Flamengo contribui para a fragilização do ecossistema olímpico brasileiro, especialmente em esportes que dependem fortemente do apoio de grandes clubes.
O impacto simbólico no esporte paralímpico
Ainda mais preocupante é o encerramento da participação no pararemo. Atletas como Michel Pessanha, Gessyca Guerra, Diana Barcellos e Valdenir Junior deixam de contar com a estrutura de um dos clubes mais poderosos do país em um cenário já marcado por falta de investimento e visibilidade.
O discurso de agradecimento não apaga o impacto simbólico da decisão. Quando um clube da dimensão do Flamengo se retira do paradesporto, a mensagem que fica é de que a inclusão e o apoio ao esporte paralímpico são secundários frente a critérios estritamente administrativos.
Entre a excelência esportiva e a responsabilidade social
O Flamengo afirma buscar excelência competitiva aliada à formação e ao fortalecimento estrutural das modalidades. No entanto, encerrar projetos olímpicos e paralímpicos vai na contramão desse objetivo, especialmente quando se trata de atletas consagrados e modalidades estratégicas para o esporte brasileiro.
Mais do que uma decisão administrativa, o fim da canoagem e do pararemo expõe um debate necessário: qual é, afinal, o compromisso real dos grandes clubes com o desenvolvimento do esporte olímpico e paralímpico no Brasil?
