Torcida faz projeto para manter o Rayo Vallecano em Vallecas

A frase “o Rayo não existe sem Vallecas e Vallecas não existe sem o Rayo” voltou ao centro do debate em Madri nesta semana. O motivo é a divulgação de um estudo que desmonta o principal argumento usado pelo presidente do Rayo Vallecano, Raúl Martín Presa, para tirar o clube de seu estádio histórico.

Nos últimos meses, Presa tem defendido a construção de uma nova arena fora do bairro, alegando que não seria possível reformar ou reconstruir o estádio no local atual. Agora, um projeto elaborado por arquitetos madrilenhos mostra que essa justificativa não se sustenta.

Projeto prevê estádio novo no mesmo local

Ainda em 2024, grupos de torcedores do Rayo procuraram o escritório de arquitetura AGAS com um pedido direto: o clube deve permanecer em Vallecas. O estudo, divulgado pelo jornal AS, aponta que é viável construir um estádio moderno exatamente onde hoje está o Campo de Fútbol de Vallecas.

A proposta prevê a reorientação do gramado no eixo norte-sul. Isso permitiria a construção de novas arquibancadas, aumento da capacidade para cerca de 25 mil pessoas e a criação de três níveis subterrâneos de estacionamento. Tudo isso sem alterações significativas no entorno, que inclui ruas residenciais, prédios e um centro esportivo municipal.

Custo e prazo considerados viáveis

Segundo os arquitetos, o investimento necessário ficaria entre 50 e 60 milhões de euros. Para um estádio desse porte, o valor é considerado relativamente baixo no padrão europeu. O prazo estimado para a conclusão das obras é de cerca de um ano e meio.

O dado reforça a tese de que a permanência em Vallecas não é apenas um desejo emocional da torcida, mas também uma opção técnica e financeiramente possível.

Estádio pertence ao Estado e exige acordo

Um ponto central da discussão é que o atual estádio pertence à Comunidad de Madrid e está cedido ao Rayo por meio de concessão. Qualquer obra de grande porte dependeria, portanto, de um acordo com o governo regional.

Mesmo assim, o estudo indica que não há impedimento estrutural ou urbano que torne a reforma inviável, como vinha sendo alegado pela diretoria.

Abandono e suspeita de interesse imobiliário

Na prática, o estádio vive um processo visível de deterioração. Faltam reformas, manutenção e até cuidados básicos. Para muitos torcedores, o abandono não é casual, mas parte de uma estratégia para reforçar a narrativa de que o local não serve mais ao clube.

Vallecas é uma área marcada por forte pressão do mercado imobiliário. Nesse cenário, cresce a desconfiança de que a saída do Rayo abriria espaço para novos empreendimentos, afastando o clube de um bairro que é parte central de sua identidade.

Com o novo projeto em mãos, a torcida passa a ter um argumento técnico sólido para defender o que sempre foi, para ela, uma questão de princípio: o Rayo pode se modernizar sem deixar Vallecas.

More From Author

Brasil chega a Milão-Cortina com chances de medalha nos Jogos de Inverno

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Temas